O Mago: Capítulo 3 (Terceira Temporada)


Recomeço

S03E03


Aron e Perion treinam juntos as suas respectivas magias todos os dias, se tornam cada vez mais irmãos. Alim observa sentado em algumas pedras ao lado de Oniria, o treinamento dos dois, e pensa no dia em que conheceu o mago, em tudo  que viveram até alí. Oniria prende seus longos cabelos e olha para o rei.

– Alguma coisa o preocupa, Milord? – Questiona Oniria percebendo o semblante de preocupação de Alim.

– Apenas bobagens que eu venho pensando, não sei se devo pensar isso, e também não quero pensar nessa possibilidade. – Responde Alim tentando ser misterioso.

Oniria é sábia, e consegue perceber qual é a verdadeira preocupação de Alim.

– Desculpa se eu serei invasiva, meu rei, mas o amor de vocês é inesgotável, e nada, nem ninguém mudará isso. O amor de vocês já correu ventos, correu mares, correu fogo, correu imensas terras, e ele não se acabará, fique tranquilo, pois nenhum dos dois deixarão de se amar. – Diz Oniria antes de se levantar e ir em direção a um pequeno rio.

Alim fica ainda mais pensativo, e só desperta dos pensamentos ao olhar para Aron, que por sua vez sorri de forma apaixonada para ele.

– Eu amo você. – Afirma Aron em pensamento para Alim, que também sorri.

Oniria caminha em direção a Galbo e Lion que estão a beira do rio, e fica alerta ao ver um jovem encapuzado se aproximar dos dois. Oniria pensa em alertá-los, mas o estranho jovem desmaia e antes de cair na terra, Galbo consegue segurá-lo. Oniria se aproxima.

Galbo retira o capuz do jovem  desmaiado, e tanto ele como Lion ficam impressionados com a beleza do rapaz, que por sua vez tem um ferimento no braço esquerdo.

– Parece que ele foi atacado por uma fera. – Comenta Oniria tocando levemente no rosto do rapaz.

– Faça alguma coisa por ele, Lion. – Pede Galbo.

Lion coloca a mão sobre o ferimento do jovem.

Soria Erona Avarian. – Pronuncia  Lion já com seus olhos na cor azul bem clara.

O ferimento do braço se fecha instantaneamente, Galbo sorri para Lion e o agradece apenas com um olhar. O rapaz que até então estava desmaiado, começa a despertar, e asim que seus olhos abrem completamente, ele sorri para Galbo.

– Obrigado. – Agradece o jovem rapaz enquanto  continua a sorrir docemente para Galbo.

Lion não gosta nada de ver o sorriso do jovem, e se afasta para perto do rio.

– Qual o seu nome? – Pergunta Galbo enquanto deixa o rapaz se sentar.

– Moran, senhor. – Responde o rapaz.

Oniria se espanta, e olha diretamente para Moran.

– Moran? Filho de Orato? – Indaga a guerreira enquanto se põe de pé e se afasta lentamente.

– Eu não irei lhe fazer mal. – Afirma Moran estendendo a mão para Oniria, que por sua vez se vira e segue rapidamente para perto de Alim.

– Ela ficou assim por qual motivo? – Pergunta Galbo.

Moran abaixa a cabeça e começa a chorar, o soluço vem logo em seguida, parece estar com medo.

– Eu não farei nada com você, Moran, pode dizer o que a levou a ficar assim. – Diz Galbo.

Moran levanta sua cabeça e olha diretamente nos olhos de Galbo, um olhar sofrido, um olhar frígido.

– Meu pai foi um tirano, senhor. As pessoas tem medo de mim por causa de todo o mal que ele fez, mas eu não sou como ele, eu não sou ele. – Diz Moran começando a chorar.

Galbo o abraça na tentativa de fazê-lo parar de chorar.

– Tudo ficará bem, Moran, você verá. – Diz Galbo. – Você não é o seu pai. – Conclui Galbo.

Lion observa Galbo abraçar Moran e vira o rosto para o rio, que se congela de repente, tamanha a raiva dele por ver Galbo abraçando um desconhecido.

– Nem mesmo sabe da origem dele direito, e já está abraçando. – Pensa Lion enquanto se esquece de que Galbo pode ouvir tais pensamentos.


Vale das Trevas

Varmo tem no centro do salão principal de seu castelo, uma fonte de água, ele caminha de forma apressada até ela, e vê o que acontece além do que seus olhos podem ver. Varmo bate na água com toda força, fica enfurecido.

– Nunca faz direito  o que eu ordeno, imbecil. – Grita  Varmo. – Guardas, tragam Orato, agora! – Ordena Varmo.

Poucos minutos depois, um velho homem é trazido até Varmo.

– Você sabe o que seu filho fez, Orato? – Questiona Varmo com grande raiva.

Orato levanta a cabeça.

– Ele simplesmente fez aquilo que o pai dele pediu. – Responde Orato. – Agora ele está mais do que seguro, Varmo. – Diz Orato encarando Varmo.

– Muito bem, então você conseguiu tirar seu filhinho de mim, mas você não terá a mesma sorte. – Afirma Varmo enquanto estende a mão na direção de Orato. – Ratrino Eibiran Etrom. – Pronuncia Varmo sorrindo emquanto Orato cai para o lado direito já sem vida. – Não  admiro que se rebelem contra mim, e quando eu ficar frente  a frente com o Moran novamente, aquele rosto que encanta a todos será um mero passado. – Diz Varmo fitando a fonte de água que mostra Moran seguindo a cavalo junto de Aron, Lion, Galbo, Oniria, Alim e Perion.


Reino de Viturius 

Lion segue ao lado de Aron, que percebe o nervosismo do irmão. Os dois se olham, até que Aron resolve tirar sua dúvida.

– O rapaz mal chegou e você já está com ciúmes do Galbo, Lion? – Pergunta Aron sendo direto.

Lion fica calado por alguns segundos, até que olha para Aron.

– Não  estou com ciúmes, Aron, só não confio nesse rapaz. – Responde Lion tentando ser convincente.

– Você está com ciúmes, sim, é notável. Admita logo, meu irmão.  – Diz Aron.

– Sim, eu estou com ciúmes, mas aposto que você também ficaria se tivesse no meu lugar. O Galbo significa muito para mim, e não quero pensar em perdê-lo. – Lion admite.

– Você só vai perder ele quando deixar esse ciúme bobo lhe denominar. Moran não representa perigo, mas você  sim  representa  um perigo para você mesmo. – Diz Aron.

– Eu vou tentar não sentir ciúmes. – Afirma Lion antes de se aproximar de Galbo.

Assim que Lion sai do lado de Aron, Oniria se aproxima.

– Se me permite, não é somente o Lion que está com ciúmes aqui, Aron. O Alim também está com um pouco. – Comenta Oniria.

Aron sorri.

– Eu ouvi o que vocês conversavam quando eu e Perion estávamos treinando. – Diz Aron. – O Alim não tem motivos para sentir ciúmes, ele tem medo de viver sem mim, assim também como eu tenho de viver sem ele. Eu estaria no caminho sem volta se isso ocorresse. – Conclui o mago.

Depois de uma hora a cavalo, a manhã logo se finda e todos chegam ao Palácio. Alim segura o braço de Aron assim que ele entra no salão após ter se banhado. Alim dispensa os guardas que ficaram do lado de dentro, e beija Aron de maneira intensa. O jovem mago até mesmo perde o fôlego depois do beijo de Alim.

– O que houve?  – Aron pergunta enquanto tenta recuperar o fôlego.

– Eu só quero sentir que você está comigo, que você não vai me deixar e que vai ser só meu, todos os dias. – Responde Alim sorrindo. – Eu amo muito você, pequeno. – Afirma o rei.

Aron abraça Alim e se reconforta nos braços dele.

Morgana caminha pelo pátio na companhia de Perion, se conhecem cada vez mais, e ela  principalmente se mostra ter se tornado uma pessoa melhor nos poucos meses que está no Palácio.

– Eu quero me desculpar com a senhorita, por não ter confiado quando deveria. – Diz Perion.

– Tudo bem, já passou, estou acostumada com isso, mas não me queixo, pois mereço depois de tudo o que fiz. Mas agora não deixarei que você se torne tão volátil quanto eu fui quando estive com a magia. – Diz Morgana abrindo um sorriso.

– Logo eles voltarão a confiar na senhorita, Morgana. E obrigado por estar ao nosso lado. – Diz Perion.

Moran se aproxima dos dois. Perion se mostra bem tímido na presença de Moran, que o observa atentamente. Morgana deixa os dois sozinhos após  ser chamada por Oniria. Moran se aproxima um pouco mais de Perion.

– Você veio do outro paralelo não é mesmo?  – Indaga Moran tentando fazer amizade com o outro rapaz.

– Sim, ainda me sinto um pouco deslocado aqui, e acho que não me acostumarei tão rápido com esse mundo. – Responde Perion se mostrando educado.

– Quer dar uma volta? – Pergunta Moran se colocando a frente de Perion.

– Você acha que seria prudente? – Devolve Perion. – Não sei, eu sinto que não estou totalmente preparado para enfrentar os perigos que há por aí. – Diz o rapaz se mostrando com receio.

– Confie em mim! – Pede Moran enquanto sorri.

Perion sente que pode confiar no jovem loiro de sorriso encantador, então segue com ele para fora do Castelo, ninguém os vê saindo.


Aron encontra com Oniria em um dos corredores do palácio, ela se mostra preocupada, e ele percebe.

– O que houve? – Pergunta Aron.

– O Moran e o Perion não estão no Palácio Aron, e eu temo que o Moran esteja sendo usado pelo Varmo. – Responde Oniria.

– Você deveria ter me dito sobre suas suspeitas antes, Oniria. Vamos procurá-los. – Diz Aron já  seguindo em direção a saída, Oniria vem logo atrás.


Perion e Moran estão sentados a beira de um lago, se olham constantemente. Perion com toda sua timidez tenta fugir do olhar de Moran, que por sua vez sempre tenta fazer com que o outro olhe para ele.

– Você gostaria de estar no lugar de onde você veio? Pergunta Moran.

– Se fosse em outro tempo, eu diria que sim, mas agora não quero mais, não há razões para que eu fique em um mundo em que não me encaixo mais. – Responde Perion enquanto pega um punhado de pedras e arremessa no lago.

Os dois jovens se assustam ao ouvirem uma gargalhada assustadora atrás deles, eles se viram e veem que é Varmo.

– Você achou que estaria protegido aqui, Moran? – Pergunta Varmo. – O engano foi grande, e agora terei você que não me vale mais nada e o Petron que me vale de tudo. – Diz Varmo  enquanto tenta avançar como um dragão furioso contra Moran.

Rimetiria Armoron Isbario. – Pronuncia Perion lançando seu feitiço em seguida contra Varmo que consegue segurar em suas mãos tamanha magia.

– Nada mal, Perion, apenas alguns meses você já domina tal feitiço, mas isso não é o suficiente. Essa magia tem que ser minha, e eu a usarei com muito mais propósito. – Diz Varmo enquanto sorri e avança na direção de Perion, que é agarrado pelo pescoço. – Não vai doer nada, e em poucos minutos sua magia será toda minha, e assim vou conseguir um dos melhores lugares que se pode existir para um ser de magia. – Diz Varmo ficando com seus olhos totalmente negros. – Erasa omaropa Irpertron. – Pronuncia Varmo.

Uma luz intensa começa a se desprender de Perion, mas pára, as mãos de Varmo saem do pescoço do jovem, então o bruxo cai  no chão. Perion vê Moran com o coração de Varmo nas mãos cheia de sangue. Moran aperta o coração que começa a brilhar intensamente e se desfaz por completo, Perion o abraça. Moran está assustado.

– Eu não podia deixá-lo morrer, eu não sei, só não podia deixar que isso acontecesse. – Diz Moran com a cabeça no ombro de Perion.

– Você fez o que achou ser certo, e obrigado por ter me salvado.  – Agradece Perion apertando o abraço.

Oniria e Aron chegam a cavalo, olham para o corpo de Varmo, e olham simultaneamente para Perion  e Moran que estão abraçados.

– Se ele estava com o Varmo, agora não está mais. – Comenta Aron.

Oniria sorri.

– Eu nunca vou parar de me surpreender. Realmente ele não é igual o pai dele. – Diz Oniria abrindo um sorriso.

– Seu segredo está bem guardado Oniria, e eu entendo sua desconfiança para com o Moran, afinal ele só viveu sobre  a tirania do pai, e não conheceu a mãe incrível que lhe deu a luz. – Sorri Aron voltando  a montar em seu cavalo.

CONTINUA

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5 comentários sobre “O Mago: Capítulo 3 (Terceira Temporada)

  1. Nossa migo, que capítulo demais! Adorei! Você escreveu muito bem! Adorei o Lion com ciúmes, o beijo de Arim :D, a esperteza de Oniria e estou começando a gostar de Perion.
    PS: Tem uma parte do texto que tem um pequeno erro de digitação, você escreveu Petron ao invés de Perior. 😉 De resto está perfeito meu querido!

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