Filho da Neve: Capítulo 2


O Reino de Felito nunca mais fora o mesmo desde que Lormio assumiu o trono. As pessoas foram aos poucos perdendo a felicidade, muitas dessas pessoas fugiram para o meio da floresta dos encantos, e assim estavam livres do domínio monstruoso de Lormio. Essas mesmas pessoas ouviram de outras a possibilidade do Reino voltar  a ser o que foi enquanto o rei Morlop  estava no trono, porém poucas acreditavam em uma salvação.

Lormio não tinha pena de ninguém, todos que não o aceitasse como rei ia direto para o poço do sofrimento, até mesmo os cavaleiros corajosos que sempre defendiam o Reino em perigosas batalhas se renderam ao rei do lado negro.

Se passaram vinte anos desde o término forçado do reinado de Morlop e Naroma, a felicidade parece ter se esgotado no Reino  de Felito, por todos os cantos se vê choro de pessoas que perderam seus entes queridos ou por estarem sofrendo de terríveis doenças, ninguém dos plebeus sorriu mais.

Lormio olha pela grandiosa janela da sala do trono, o sol nasce, porém não é um sol amarelo, mas sim de cor azul, e agora  não mais irradia calor, e sim um frio intenso que castiga muitos. Lormio ouve uma voz que parece estar sendo abafada, ele se lembra do espelho no bolso do casaco, e o retira de dentro do bolso.

– Graças aos céus você se lembrou de mim. – Diz o espelho Sorrindo.

– Resmungando como sempre, não tem como viver em paz, sabe, eu deveria destruí-lo para sempre.Comenta Lormio olhando diretamente para o espelho.

– E você iria perder a chance de conhecer os mistérios da vida. – Afirma o espelho. – Vamos direto ao assunto que me fez aparecer novamente. Você  já conquistou tudo  o que queria, posso saber o motivo de não me libertar? Questiona o objeto nas mãos de Lormio.

– Eu vou libertá-lo quando trouxer para mim o jovem príncipe Ilon. – Responde Lormio.

– Trazê-lo? Eu não posso trazer algo que já está morto, é impossível. – Diz o espelho.

– Você está se divertindo com isso,  não está? Mas eu sei que o Ilon não morreu como deveria ter acontecido, pois você poupou ele, e só terá sua liberdade quando ele estiver em minhas mãos.  – Lormio afirma antes de exibir um sorriso farto.

– Eu não farei nada disso, Lormio. O Ilon está vivo sim, e logo ele virá até você, mas não será para dizer apenas um oi, mas sim um adeus eterno. – Diz o rosto no espelho esboçando um pequeno sorriso. – Eu só responderei a ele a partir de hoje, você rompeu nosso acordo, por isso sofrerá  as consequências.

Lormio fica extremamente enraivecido pelo fato do espelho tê-lo enfrentado de maneira tão dura. Lormio arremessa o espelho contra uma pilastra, mas diferente do que pensou, o objeto não se quebra, mas desaparece por completo.


Muitas léguas de distância do Reino de Felito, vive uma camponesa a Beira de um rio de água cristalinas, ela sai da pequena morada e caminha sorridente até a margem do rio.

– Ilon e Marfel já podem sair desse rio. – Pede a senhora camponesa. – E eu não me lembro de ter pedido para que vocês ficassem no rio.

Ilon, um jovem branco como a neve, os cabelos negros como a noite mais escura, sai da água com as vestes toda molhada e caminha sorridente até a camponesa.

– Desculpe, minha mãe, sei que deveríamos estar no vilarejo, mas não resistimos a tamanha beleza de água. – Diz o jovem Ilon agora próximo da camponesa, ele beija seu rosto. – Já iremos nos aprontar.

A camponesa sorri, e volta seu olhar para o outro jovem rapaz  dentro  da água.

– Marfel, não está pensando em deixar seu irmão sozinho, está?  – Pergunta a Camponesa enquanto Ilon se afasta para dentro da Morada.

– Eu nunca o deixarei sozinho, minha mãe, já estou a caminho. – Responde Marfel ao sair da água. – Ele é tão importante quanto a senhora para mim, apesar dele não ser seu filho mesmo. – Diz Marfel sorridente.

– Sim, eu sei disso, Marfel, mas eu o considero como filho. – Afirma a camponesa.

– A mãe dele é a neve, minha  mãe! – Exclama Marfel.

– Deixe de bobagem ou seu irmão vai pensar que você é igual aqueles idiotas do vilarejo. Eu o encontrei na neve, mas tenho certeza que ele teve pai e mãe de carne e osso. – Diz a Camponesa antes de beijar a testa de Marfel. – Eu amo ele assim como amo você, filho.

Marfel sorri com a afirmação da mãe e segue para dentro  da pequena casa. Minutos depois os dois rapazes seguem para o vilarejo de Moralva, os dois conversam muito  enquanto caminham.

– A mãe não sabe que eu sei? – Questiona Ilon enquanto caminha lado a lado de Marfel.

– Ela não desconfia, mas Ilon, não se preocupe com isso, nada muda, pois você continuará sendo meu irmão, meu melhor amigo. – Afirma Marfel antes de bagunçar o cabelo de Ilon.

– Ilon, Ilon, Ilon! – Uma voz masculina começa a chamar pelo rapaz que olha para todos os lados, mas está só ele e Marfel alí.

– Você me chamou,  Marfel? – Ilon pergunta ao parar no meio do caminho.

Marfel dá alguns passos até Ilon.

– Eu não lhe chamei, o que aconteceu?

Marfel se mostra preocupado com o irmão.

– Mas alguém me chamou, eu sei que chamou, eu não estaria ouvindo coisas. – Diz Ilon voltando a caminhar.

– Vamos continuar, só pode ter sido efeito do sol quente. – Marfel comenta.

– Mas o sol não está nem um pouco quente há anos, irmão.

Ilon e Marfel voltam a caminhar. Ilon olha para todos os lados desconfiado, os olhos são rápidos, ele volta a ouvir o chamado, Marfel derruba Ilon no chão ao perceber que um objeto vem em sua direção, o espelho cai ao lado dos dois. Marfel e Ilon se levantam devagar, o espelho começa a flutuar até que aparece um rosto, que sorri.

– Enfim eu encontrei o verdadeiro rei. – O rosto no espelho comemora com um sorriso amigável.

Ilon olha para Marfel, os dois estão assustados, não sabem o que falar ou fazer.

CONTINUA

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9 comentários sobre “Filho da Neve: Capítulo 2

  1. Agora falando sério, gostei da história, estou gostando do ritmo da narrativa, ela está bem diferente do começo de o mago, que já começa com tudo acontecendo e tals e tiro pra lá e tiro pra cá, muita coisa acontecendo….. essa história ela está sendo narrada com seu tempo, de forma tranquila e introduzindo a trama de forma legal… Eu gostei do começo de o mago e acho que esse começo diferente dá um toque especial para não cair na mesmice, parabéns!

  2. E confesso que você tá melhorando a escrita amigo, tá cada vez melhor, tipo o jeito que você tá levando o começo da trama, mostrando uma evolução com o começo de o MAgo, por mais que sejam histórias diferentes e tem que ser diferente as narrativas, mas olhando pro gênero fantasia, você tá melhorando a escrita! Agora já dá pra começar a comparar e cheguei nessa conclusão… Mas o Mago continua sendo minha paixão, migo!

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