Caminhos do Mar: Capítulo 7



Elizabeth abre um grandioso sorriso, e sai na companhia de Colin, a todo momento ela olha para trás na esperança de ver James no convés. Colin e Elizabeth se sentam em uma das várias mesas postas no convés. Ele admira a bela jovem a sua frente, não deixa escapar nenhum galanteio, é um homem seguro de si, e que está disposto a tudo para conquistar o amor de Elizabeth, que por sua vez olha para ambos os lados, nervosa em busca de seu verdadeiro amor, que é James.

– Você está me parecendo um pouco preocupada, algum problema? – Questiona Colin após beber um pouco de café.

Elizabeth mantêm a cabeça abaixada.

– Não é nada que o senhor deva se preocupar. – Responde Elizabeth tentando ser educada, já que sua verdadeira intenção é sair correndo e ir ao encontro de James. – Onde estará ele? -Elizabeth se pergunta em pensamento.

Colin por sua vez sorri ao constatar o motivo de preocupação de Elizabeth, e se depender dele, ela continuará preocupada e nunca mais verá James.

– Tenho planos para nós, Elizabeth. – Pensa Colin enquanto continuar a admirar a beleza da jovem a sua frente. – Você não vai comer nada? – Pergunta Colin.

– Não estou com apetite, senhor Colin.  – Responde Elizabeth enquanto olha em direção ao mar.

Colin põe sua mão sobre a de Elizabeth que passa a olhar o magnata.


August se preocupa com James,  então segue até o andar onde o amigo está preso, tem sorte e consegue chegar até James que está sentado em uma cadeira algemado em algumas tubulações, ele sorri ao ver August.

– Você conseguiu falar com ela, August? – Questiona James enquanto é abraçado por August.

August se afasta.

– Eu tentei passar para o convés principal, mas sem sucesso, James. Só terei êxito a noite, infelizmente. – Responde August.

– Tudo bem, você tentou, mas não desista, ela precisa saber o motivo de eu não a ter procurado. – Diz James.

August volta a se aproximar de James, ele segura a mão do amigo.

– Eu não vou desistir, James. Vou falar com ela.  – Afirma August sorrindo. – Só tenha calma! – Pede August.

– Muito obrigado, August! – Agradece James enquanto aperta a mão do amigo.


Elizabeth se levanta abruptamente, Colin fica surpreso.

– Desculpe os meus modos, mas tenho de ver como minha mãe está, senhor. – Diz Elizabeth na intenção de se ver livre de Colin pelo menos no momento.

– Não se preocupe, Elizabeth. Vá, mas a noite eu lhe aguardo no grandioso jantar que ocorrerá no salão principal. – Diz Colin. – E mande melhoras para a sua mãe.

– Obrigado, senhor Colin. – Elizabeth agradece enquanto sai da presença  de Colin.

Colin se levanta da mesa, segue até um guarda próximo das grades de proteção.

– Você fez o que eu pedi? – Questiona Colin com grande autoridade.

– Sim, senhor House! – Responde o guarda.

– Muito bem, terá sua recompensa. – Afirma Colin antes de sortir.


A noite logo se aproxima, as luzes do navio de sonhos logo se acendem, a temperatura está mais amenas devido a região em que o navio navega ser mais fria. Capitão John está feliz assim como sua tripulação,  pois estão fazendo uma viagem tranquila e sem contratempos. Um dos tripulantes, Brandon, se aproxima do capitão.

– Não seria prudente seguirmos com uma  velocidade menor, Capitão? – Pergunta Brandon.

Outro tripulante se aproxima de Brandon.

– Está com medo de quê, Brandon? Não vai acontecer nada, e o Will está lá em cima atento a tudo. – Diz o tripulante.

– Não estou dizendo que vai acontecer alguma coisa, Daniel, só estou tentando ser cauteloso. – Afirma Brandon.

O capitão Jonh olha para os dois.

– O Brandon tem razão, Daniel. Estamos em águas mais geladas, e veja. – Jonh aponta para fora. – Temos um nevoeiro que está fraco, mas pode aumentar. – Diz Jonh com sabedoria. – Vamos diminuir a velocidade.

Daniel retorna ao seu posto, mas não deixa de encarar Brandon.


Elizabeth está parada próximo das grades de proteção, ela admira a noite, o céu estrelado, pensa em James, se assusta quando sente uma mão pousar sobre seu ombro, ela se vira rapidamente.

– James? – Pergunta Elizabeth ao se virar.

Elizabeth vê que não é James, só é mais um tripulante lhe pedindo para não ficar muito próximo da grade de proteção. O nevoeiro aumenta, as águas estão calmas demais.

Colin se aproxima de Elizabeth com seu jeito galanteador de sempre, ele toca a mão dela.

– Gostaria de agradecer pela sua companhia no jantar. – Diz Colin na tentativa tentativa puxar algum assunto.

– Não foi nada demais, senhor Colin, foi um prazer. – Afirma Elizabeth mantendo a postura bem educada quando na verdade só queria não vê-lo mais.

– Está frio, se ficar muito tempo aqui fora irá se resfriar. – Afirma Colin tirando o casaco e colocando em Elizabeth.

– Obrigado. – Agradece Elizabeth sorrindo.

– Vou lhe deixar com seus pensamentos, e nos vemos amanhã. – Diz Colin antes de beijar a testa de Elizabeth e sair.

Elizabeth o olha se distanciar.


Capitão John se retira e deixa Daniel no comando, em vista de que Brandon seguira para o cesto do mastro. Daniel recebe algumas mensagens de navios que fizeram a mesma rota que eles agora  estão fazendo, porém por conta de sua inexperiência, ele não dá o devido valor às  informações e as ignora por completo, não quer incomodar o capitão.


Brandon está no cesto localizado no alto do mastro, outro tripulante o acompanha.

– Com esse nevoeiro não é possível ver muita coisa. – Afirma o tripulante retirando o binóculo dos olhos.

– Deixe eu ver, Philip. – Diz Brandon pegando o binóculo das mãos de Philip, o outro tripulante.

Depois de observar rapidamente, Brandon concorda com o companheiro.

– É, realmente não é possível ver muita coisa. – Afirma Brandon.

– Vocês não receberam nenhum alerta? – Pergunta Philip.

– Desde o dia doze recebemos pequenos alertas. Hoje mesmo, um pouco mais cedo recebemos um aviso, mas depois disso, nada. – Responde Brandon.

– Você deveria estar lá embaixo, Brandon.  – Afirma Philip. – Você é quem tem mais experiência depois do capitão.

Brandon interrompe a conversa e se assusta com o que vê a sua frente, Philip tambem se assusta ao constatar o que o companheiro de navegação está vendo.

– Toque o sino! – Diz Brandon assustado.

O sino de alerta é tocado, Brandon avisa Daniel do que viu. Daniel logo também consegue ver o Iceberg de onde está e faz o máximo para conseguir que o navio não se choque de  frente. A grandeza do navio impede que ele vire ou pare rapidamente.


Elizabeth e algumas pessoas se afastam com medo ao verem o Iceberg, o navio passa ao lado dele, um tremor pode ser sentido, algumas pedras de gelo caem no convés, o navio percorre alguns metros e para. Elizabeth sente uma mão pousar sobre seu ombro, e dessa vez é August.

– Venha comigo! – Pede August.

– Para onde? – Pergunta Elizabeth.

– O James foi preso hoje de manhã, ele precisa de você.

August conta para Elizabeth onde James está preso, ela se preocupa ainda mais. Um dos guardas  se aproxima de August.

– Você não deveria estar aqui! – Diz o guarda enquanto segura August.

Elizabeth sai correndo a pedido de August, ela segue em direção ao andar em que James está preso. Algumas pessoas que já estavam dormindo são acordadas e seguem para o convés principal, estão assustadas, Elizabeth passa por elas e não  entende o que acontece. Elizabeth encontra o lugar onde James está, ela o abraça.

– Desculpa ter feito você passar por isso, James. – Pede Elizabeth.

– Você não tem culpa, nós sabíamos que isso aconteceria, afinal estamos juntos.

Elizabeth sorri.

– Você sabe onde estão as chaves de suas algemas? – Pergunta Elizabeth.

– Provavelmente com um dos guardas. – Responde James.

– Eu vou procurar algo que ajude a abrir, prometo. – Diz Elizabeth beijando James.

Elizabeth sai de onde James está, ela nota o chão um pouco molhado, logo ela é abordada por um homem que a segura e puxa pelos braços, é um guarda.

– Vamos senhorita, o navio está afundando e você precisa estar no convés.- Diz o guarda enquanto puxa Elizabeth.

Elizabeth consegue se soltar.

– Eu não vou! – Grita Elizabeth.

O guarda a deixa e sobe pela escada. Elizabeth começa a procurar algum objeto cortante que consiga quebrar as algemas de James. Ela percebe o corredor já com uma quantidade maior de água, ela pega um pequeno machado que conseguira encontrar. James fica aliviado ao ver Elizabeth.

– Tenho que tirar você rápido daqui. – Afirma Elizabeth. – O navio está afundando.

–  Como isso aconteceu? – Pergunta James.

– Eu não sei, foi tudo de repente. – Responde Elizabeth levantando o Machado.

Elizabeth custa a conseguir quebrar a algema que prende James.

– Você tem que ir, Elizabeth! Você tem que ir. – Grita James percebendo o nível da água aumentar.

– Não, eu não vou lhe deixar. – Afirma Elizabeh. – Eu vou tentar mais uma vez.

Elizabeth acerta a lâmina do machado na algema que se parte, James a abraça forte.

– Vamos sair daqui! – Diz James antes de beijá-la.

James e Elizabeth estão com água até a cintura, estão passando para outro andar quando ficam de frente para Colin que lhe aponta uma arma.

– Onde vocês pensam que vão? – Questiona Colin com um sorriso maldoso. – Dois infelizes. – Afirma Colin ao engatilhar  a arma.

Colin atira, mas erra, James avança sobre ele, a arma cai. James é rápido e acerta um soco em Colin, que por sua vez fica desnorteado. James sai correndo com Elizabeth, Colin recupera a arma e atira  contra os dois que se abaixam e correm.

Elizabeth e James chegam no convés principal. Muitas pessoas estão aglomeradas,  John ordenara a descida dos botes assim que fora avisado pelo engenheiro que o navio logo iria afundar. Algumas pessoas estão desesperadas, pois percebem que o número de botes não será suficiente, choram, gritam, tentam de tudo para conseguir lugar em um dos botes.


Brandon e Philip seguem pelo corredor alagado afim de descobrirem se há mais alguém, e veem um guarda voltando com um homem algemado.

– Nas condições em que estamos, você pretende  prender um homem agora? – Questiona Brandon  olhando para o guarda.

– São ordens de superiores. – Responde o guarda.

– Solte-o imediatamente. – Ordena Brandon.

– Não posso fazer isso, me desculpe! – Diz o guarda.

Philip se irrita e acerta um soco no guarda, que imediatamente solta August.

– Saia daqui! – Grita Philip para o guarda, que por sua vez corre com o nariz sangrando.

– Precisaremos de você! – Diz Brandon para August.

Brandon abre a algema de August, agora os três retornam para o convés.


As pessoas travam uma verdadeira guerra pelos botes, o medo toma conta de todos, alguns rezam em pensamento para que sejam ajudados. Uma pequena menina chora, está perdida de seus pais, James a pega nos braços e entrega para Elizabeth.

– Vá Elizabeth, leve-a com você! – Diz James.

– E você,  como vai ficar? – Pergunta Elizabeth.

– Eu saberei dar um jeito. – Responde James.

Elizabeth entra no bote junto de mais algumas pessoas, ela pensa em ir, mas decide que não, não  quer se separar de James. Ela deixa a menina com uma outra mulher e se arrisca a voltar para o navio, James estava dando as costas quando  a vê se pendurando na corda do bote. James  e outras pessoas ajudam Elizabeth a voltar para o convés, ela abraça James e o beija.

– Eu não o deixarei. – Afirma Elizabeth. – Eu preciso encontrar minha mãe. – Diz a jovem.

– Será que ela não já está em um dos botes? – Pergunta James.

Elizabeth quer ter certeza de que sua mãe está bem, ela é James procuram saber de um tripulante que está controlando a descida dos botes se a mãe dela  embarcara. Elizabeth se desespera ao saber  que a mãe ainda não foi, mas logo se sente aliviada ao  ver August a carregando. August coloca Sofhia em um dos últimos botes, ela olha para a filha e estende a mão.

– Eu não posso, mãe, não posso ir com a senhora. Mas nos veremos de novo, prometo. – Afirma Elizabeth segurando na mão de Sophia e soltando em seguida. – Eu amo você, minha mãe. – Diz Elizabeth antes  do bote descer.


Assim que o último bote é colocado na água, uma madrugada gelada, o navio começa a inclinar, parece que não vai parar. Pessoas desesperadas gritam por socorro, algumas aceitam o que estar por vir, assim como John que preferiu ficar no navio. Alguns procuram de alguma maneira se  apoiar em algum  lugar, outros se jogam na  água gelada do Mar como último ato de querer viver. O navio se inclina por completo, e começa a se partir bem ao meio, as luzes do navio se apagam totalmente, a escuridão é assustadora. James e Elizabeth se arrastam com dificuldade até a proa do navio, um olha para o outro. James tenta passar segurança para Elizabeth, que aperta sua mão.

– Quando ele estiver próximo de afundar,  nós pulamos, e não solte da minha mão. – Diz James.

O navio afunda quase que totalmente. James e Elizabeth pulam na água, mas acabam que as mãos dos dois se soltam uma da outra. Elizabeth se desespera enquanto tenta retornar a superfície, tudo  é muito  escuro, até que ela sente outra mão tocar a sua, ela é puxada para cima e vê James apoiado em pedaço de porta que flutua na água. James resolve por ficar  na água enquanto apoia Elizabeth em cima da porta, o frio é intenso.

– Vai ficar tudo bem! – Diz James antes de beijar a mão de  Elizabeth.

Elizabeth sorri enquanto aperta a mão de James.

– Eu quero ficar ao seu lado, pra sempre. – Afirma Elizabeth.

A água do mar é gelada, o frio é intenso, Elizabeth ainda consegue sentir o calor das mãos de James que sorri para ela como na primeira vez que se cruzaram. James fecha os olhos lentamente.

– James! James! – Elizabeth o chama, mas não obtêm resposta.

Elizabeth chora ao constatar a morte de James, ela beija a mão dele e com lágrimas solta de sua mão. James afunda nas águas do oceano sob o olhar triste de Elizabeth, que pouco tempo depois começa a ouvir algumas vozes, ela desmaia.

Elizabeth acorda em cima de  um banco no convés de um navio, está coberta por cobertores, ela se senta e se enrola nesses mesmos cobertores. Colin passa a sua frente, procura por algo ou alguém. Elizabeth tampa sua cabeça com os cobertores, ela fecha os olhos e se imagina dançando uma última vez com James, agora na presença de todos, sobre o aplauso de muitos.

FIM

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3 comentários sobre “Caminhos do Mar: Capítulo 7

  1. Acabou? Nãooooooo!!! Tava adorando ler, podia ter enrolado um pouco mais, heheheheeh… Mas essa versão compactada ficou maravilhosa, você conseguiu adaptar muito bem, meu querido! 😀 😉 Infelizmente ele morre no final 😦 Sacanagem! Ficou lindo, Você conseguiu dar uma leveza e realçar o romance de uma maneira muito legal!

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