Caminhos do Mar: Capítulo 5



Colin agora tem a doce Elizabeth em suas mãos, não poderia ter melhor jeito para se aproximar um pouco mais de sua pretendente, ele está disposto a conquistá-la mesmo a conhecendo há tão pouco tempo, porém não existe amor em suas intenções, apenas desejo, desejo de ter alguém ao seu lado, desejo de ter um herdeiro. Colin se despede de Sophia com um sorriso estampado.

– Bom, deixarei que as senhoras terminem o café da manhã. – Diz Colin antes de olhar para Sophia. – E aguardo sua filha hoje a noite, senhora. – Colin sorri.

– Ela irá com certeza,  senhor House,  não se preocupe, pois minha filha estará lá. – Afirma Sophia sorrindo.

– Agradecido, senhora, até mais ver! – Diz Colin ao sair da presença de Sophia.

– Sua filha é uma sortuda, Sophia. – Diz uma das mulheres que estão na mesma mesa que Elizabeth.

Sophia sorri com orgulho.


Elizabeth caminha ao lado de James que não deixa de olhar um segundo para ela, que por sua vez percebe e acaba ficando avermelhada. James vê que Elizabeth está envergonhada.

– Desculpe, não foi minha intenção deixá-la desse jeito. – Pede James enquanto se aproxima um pouco mais de Elizabeth.

Elizabeth olha com compreensão para James, que sorri. Os olhares de ambos parecem se conectar em algo muito maior que os dois já parecem nutrir um pelo outro, eles continuam se olhando, a intensidade do momento é medida pelas batidas frenéticas do coração. James, um pouco mais alto do que Elizabeth se inclina pouca coisa sobre a jovem, que fecha os olhos. James a toca com leveza, percorre sua mão do braço até o delicado rosto de Elizabeth, que se mantêm imóvel, desejosa. O beijo acontece calmamente, apaixonado  beijo que ambos desejaram desde que se encontraram por acaso. Os lábios se afastam com delicadeza quando uma garoa se inicia, eles sorriem e correm para dentro, tudo  é silencioso.

A intensa paixão é o combustível para viver calorosamente o restante do dia, que se faz regado por certas invasões à andares praticamente restritos, e quase no fim da tarde o vidro embaçado de um veículo indica a presença de um casal talvez louco, talvez insano que usufrui de momentos prazerosos. Elizabeth e James aproveitam cada instante como se fosse único, saem do andar onde selaram a ardente paixão, e agora caminham pelo convés principal, eles brincam, sorriem, o momento é de grande felicidade.

James olha para Elizabeth,  que está sorrindo.

– Feche os olhos! – Pede James.

– O que? – Pergunta Elizabeth não entendendo o motivo de tal pedido.

– Feche os olhos e confie em mim, Elizabeth. – Pede James sorrindo.

Elizabeth sente que pode confiar em James, que por sua vez segura a mão dela e a leva com todo cuidado até a proa do navio, sempre mantendo o cuidado  para que a jovem mantenha os olhos fechados.

– Abra os olhos! – Pede James.

Elizabeth abre os olhos ansiosa, e vê que está na proa do navio, um vento fraco acaricia seu rosto.

– Vê, não é lindo parecer que estamos voando? Sentir que a liberdade nos acolhe tão bem. – Diz James enquanto segura Elizabeth.

– Sim, é lindo. – Afirma Elizabeth com grande emoção. – Eu estou tão perto da verdadeira razão de estar  aqui.

– Você quer viver, Elizabeth, quer viver. Você não quer que a aprisionam para sempre. – Diz James ao ajudar Elizabeth sair da proa.

– Tudo parece simples, James, mas não é, tudo é complicado demais. – Afirma Elizabeth enquanto a expressão de felicidade se torna a expressão de preocupação.

James toca o rosto de Elizabeth.

– Você só precisa querer se libertar de verdade para que tudo isso deixe de ser complicado demais.

Elizabeth quer viver sua vida sem ter alguéma controlando todo tempo, mas sente medo, sente que não tem coragem suficiente para jogar fora as amarras que se tornaram parte dela. Elizabeth  olha para James, e sai correndo, o jovem a olha entrar. James fica próximo da grade de proteção, seus olhos fitam o pôr-do-sol.


Elizabeth está correndo pelo corredor que leva até  as cabines, acaba se esbarrando em Colin, que a segura para não cair.

– Obrigado! – Agradece Elizabeth.

Colin a segura.

– Onde vai com tanta pressa? Parece um pouco abatida. Quem a deixou assim? – Indaga Colin com preocupação.

– Estou apenas cansada, senhor. – Afirma Elizabeth.

– Descanse um pouco, senhorita, mas eu a espero no nosso jantar hoje, logo mais. – Diz Colin. – Tenho uma surpresa para você, espero  que goste. – Colin beija a mão de Elizabeth, e sai.

Elizabeth olha para o corredor, coloca as mãos na cabeça, e retorna para o convés depois de pensar, ela avista James, que mantêm  os olhos na escuridão. James se vira ao notar  a presença de Elizabeth.

– Eu mudei de ideia. – Afirma Elizabeth.

James abraça Elizabeth rapidamente.

– Garanto que você se sentirá uma nova pessoa, Elizabeth, não irá se arrepender. – Afirma James antes de beijar  a mão de Elizabeth.

– Agora quero lhe fazer um convite. – Diz Elizabeth sorrindo. – Venha comigo a um jantar, ficarei feliz se estiver ao meu lado. – Completa a jovem.

James olha para suas roupas um pouco velhas e sujas.

– Acredito que eu não tenha roupa adequada para esse jantar. – Afirma James sorrindo.

– Não tem problemas, eu encontrarei uma roupa para você, não se preocupe. – Diz Elizabeth.


Elizabeth chega acompanhada de James, que está bem vestido, nem mesmo desconfiam que ele é na verdade um simples homem, sem propriedades, sem dinheiro, apenas com sonhos. Colin observa com raiva a chegada dos dois, assim como Sophia que se pudesse, com certeza iria levantar e arrastar sua filha pelos cabelos, mas pensou no vexame que tudo isso faria, e resolveu ficar em seu lugar demonstrando estar feliz com a presença de Elizabeth na companhia de um completo estranho.

Colin olha para outro homem bem vestido que rapidamente se aproxima de sua mesa.

– Senhor House, o que deseja? – Questiona o homem.

– Descubra tudo sobre esse homem que acompanha a senhorita Elizabeth. Quero saber absolutamente tudo sobre ele. – Afirma Colin. – Você será bem pago para isso.

O homem sai assim que Elizabeth se aproxima da mesa onde  está Colin.

– Desculpe, senhor House, mas não pude deixar de trazê-lo. – Pede Elizabeth desviando o olhar para James.

Colin sorri por fora quando na verdade está uma fera põe dentro.

– Quem é seu amigo? – Pergunta Colin enquanto mantêm o sorriso forçado.

– Um primo distante que quer tratar de negócios, e quando soube que o senhor estava no navio de sonhos, ele me implorou para ter uma oportunidade com o senhor. – Responde Elizabeth enquanto se senta a mesa.

James também se senta, e astuto como sempre foi, consegue conduzir a conversa sem que suspeitas sejam levantadas. Aparentemente Colin acredita no suposto parentesco entre os dois, mas não deixa sua investigação encomendada se acabar. Colin, James e Elizabeth se juntam a mais algumas pessoas em uma mesa próximo deles. James com seu jeito encantador consegue passar despercebido com a ajuda de Elizabeth, até mesmo Sophia acaba acreditando no parentesco dos dois. A noite corre tranquila, e certo de que não há nada entre James e Elizabeth, Colin desesperado faz uma proposta de casamento para Elizabeth, que por sua vez fica desconcertado, e sem saída, ainda com medo, acaba por aceitar.


Elizabeth fingi uma indisposição, e tem a ajuda de James. Os dois caminham pelo corredor que leva até a cabine de Elizabeth. A moça pára fazendo com que James também pare.

– Eu não irei me casar com ele, James. – Diz Elizabeth.

James respira aliviado enquanto olha nos olhos de Elizabeth, que transmite uma verdade incontestável.

– Quando o navio  aportar, descerei com você. Não importa o destino, eu irei com você. – Afirma Elizabeth sorrindo.

James a olha com grande paixão, os lábios se tocam, e o beijo acontece de forma calorosa. Ao fundo um homem os observa com grande interesse.


13 de Abril de 1912

James dorme tranquilamente, mas acorda ao sentir um tapa em sua cabeça, é August, que sorri.

– Já está tarde, James, e aquela moça está aí fora. – Diz August.

– A Elizabeth? – Pergunta James.

– Sim, ela mesma. – Afirma August.

James se levanta rapidamente da cama, corre para se lavar, e logo retorna. James olha para August.

– Você está bem? – Pergunta James.

– Sim, só tive um sonho estranho, mas nada para se preocupar.

– Minha mãe sempre me dizia que sonhos tem significados. – Comenta James.

– Mas acredito que o meu não tenha um certo. – Sorri August.

– Pode ser que sim ou pode ser que não. – Diz James batendo levemente  no ombro de August. – Fica bem!

– Ficarei, James, e você tome cuidado. – Diz August.

– Eu tomarei. – Afirma James antes de sair.

James vê Elizabeth parada olhando para o mar. Ela se vira e sorri para James.

– Desculpe a demora. – Pede James.

– Você não demorou, sou eu quem estava ansiosa para revê-lo. – Afirma Elizabeth.

Ao longe atrás de um bote, um homem os olha, está atento.

CONTINUA

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