Caminhos do Mar: Capítulo 2


O grande navio está em alto mar, o continente ficara para trás. A emoção é grande para algumas pessoas dentro do navio, principalmente para o capitão John que sempre  tivera um sonho de conduzir um imponente navio como esse pelas águas do oceano atlântico.

– Enfim, homens! Hoje estamos em nossa primeira viagem de muitas, cortaremos muitas águas por oceano adentro, e temos de estar absolutamente preparados para tudo, absolutamente tudo. – Diz John enquanto se ocupa do leme a sua frente em uma cabine gigantesca.

– Capitão, você já navegou por essas águas?  – Pergunta um dos tripulantes ao lado do capitão.

– Muitas vezes foram essas viagens, mas claro que em embarcações mais modestas. – Responde John.

– Será uma viagem tranquila. – Afirma um segundo tripulante.

– Assim esperamos! – Diz Capitão John.


Na cabine onde se encontra Sophia e sua filha Elizabeth, a Jovem se troca. Sophia aguarda com certa impaciência.

– Vamos logo com isso, minha filha. – Pede Sophia.

Elizabeth sai detrás de uma espécie de biombo feito de madeira, está trajando um vestido mais leve, próprio para um passeio.

– Terminei, minha mãe!

– Muito bom, achei até que iria ficar alí até o fim da viagem.

– Não exagere, minha mãe.

As duas saem da cabine e seguem pelo corredor, a jovem Elizabeth admira as gaivotas voando.

– Esses pássaros só estão aqui por causa dos andares abaixo de nós. – Comenta Sophia com sua altivez de sempre.

Longe da visão da mãe, Elizabeth revira os olhos.

– A senhora e o seu preconceito com as classes existentes. Não deveria ser assim. – Contesta Elizabeth.

– Tem razão, não deveria de ser assim, afinal eles nem deveriam existir. – Afirma Sophia enquanto se abana com seu leque vermelho.

– Se eles não  existissem, com certeza estaríamos no lugar deles, minha mãe. – Diz Elizabeth abrindo um grandioso sorriso e olhando para o andar abaixo dela.


James conseguira com sucesso escapar da fiscalização dos seguranças que impedem a passagem dos menos nobres para outros andares superiores, ele levanta a cabeça e seu olhar se choca com o olhar de Elizabeth, como um imã invisível, os olhares parecem não querer se desgrudar.

James cumprimenta a jovem que sorri para ele, mas logo a moça desaparece, pois fora puxada por sua mãe.

– Que moça mais linda. – Comenta James para si mesmo.

Um companheiro de viagem se aproxima de James.

– Linda, mas não irá conseguir chegar nem próximo dela. – Comenta o outro rapaz.

– Eu não disse que a queria. – Diz James para o rapaz que acabara de conhecer.

– Você até pode conseguir ser no máximo amigo dela, pois moças como ela nos olham de cima, exatamente como ela estava olhando para você. Prazer, sou August. – O rapaz estende a mão.

James segura na mão de August.

– Sou James, qual o seu destino? – Questiona James.

– Nova York, caro James. A vida aqui já não tem mais sentido para mim.

– Uma desilusão amorosa?

– Está tão visível assim?

– Eu conheço o caso, já tive muitas.

– Estou querendo mudar de ares, de país, recomeçar mesmo que isso leve um bom tempo. – Diz August.

– Faz bem, August. – Afirma James. – Eu também tenho muitas ideias na cabeça para quando chegar no outro continente.

Os dois rapazes se inclinam enquanto  seguram na grade que circunda boa parte do navio.

– Tenho certeza que a vida voltará a sorrir para nós dois, James. – Diz August retirando um cigarro do bolso de sua camisa.


Sophia leva a filha praticamente a força, mas Elizabeth consegue  se soltar.

– Eu sei caminhar sozinha, minha mãe. – Diz Elizabeth já irritada com a atitude da mãe.

– Pois bem. – Sorri Sophia. – Então venha comigo.

Elizabeth desconfia da mãe.

– O que a senhora está planejando? – Pergunta Elizabeth caminhando ao lado da mãe.

– Nada que você já não saiba, filha. – Responde Elizabeth enquanto se aproxima de um homem que está de costas.

Disfarçadamente, Sophia pede que Elizabeth  se comporte. O homem se vira, tem um rosto marcante, olhos claros e encantadores que com certeza iriam hipnotizar muitas mulheres.

– Senhora. – Diz o homem segurando a mão de Sophia e a beijando levemente para logo depois fixar seu olhar em toda a beleza de Elizabeth que tem seus cabelos ruivos balançado em vista do vento que passa por alí. – Senhorita. – O mesmo homem agora segura a mão de Elizabeth e a beija, porém um pouco mais demorado.

Sophia olha para a filha.

– Filha, esse é Colin House, um grande amigo do seu pai. – Sophia o apresenta para a filha.

– É um enorme prazer conhecê-lo, senhor Colin. – Diz Elizabeth mais por pura educação do que qualquer outra coisa.

Colin olha para Sophia que sorri, e depois volta a olhar para Elizabeth.

– Gostaria que se juntassem a mim hoje a noite em um jantar que teremos. – Colin se aproxima de Elizabeth. – Da senhorita eu não aceito um não como resposta. – Colin é decisivo.

– Eu e minha filha iremos, senhor Colin. – Diz Sophia interrompendo.

Colin sorri.

– Muito bem, eu aguardo as duas. – Promete Colin sorrindo. – Mas agora tenho de ir, pois quero saber como estão todos nessa viagem. – Colin se despede e se vai.

Sophia se aproxima da filha com um sorriso que a jovem já conhece muito bem.

– Ele é dono dessa companhia filha, o pai dele deixou ele com uma grande fortuna nas mãos, e o melhor, ele quer se casar. – Comenta Sophia enquanto sorri. – Você só tem que ser a boa mulher que está sendo, e logo também estaremos usufruindo de tal fortuna.

– Mãe, eu… – Elizabeth tenta dizer alguma coisa, mas é interrompida pela mãe.

– Eu sei o que a senhorita  dirá, por isso trate de  se conformar, na verdade trate de comemorar, pois homem rico e bonito não é fácil de se encontrar, não juntos, e ainda que queira casar. – Diz Sophia sendo taxativa. – Termine esse passeio e depois comece a se arrumar para o nosso jantar. – Diz Sophia deixando Elizabeth sozinha.


A noite logo se aproxima, as luzes do navio se acendem. Elizabeth termina de se arrumar primeiro do que a mãe, que fica tentando encontrar um par de brincos.

– Acredito que a senhora não os trouxe, mãe. A única coisa que a senhora conseguirá achar é uma grande dor de cabeça. – Afirma Elizabeth enquanto sorri longe do campo de visão da mãe.

Sophia decide usar outro par de brincos. Mãe e filha saem da cabine e seguem para o salão daquele andar do navio.


August se aproxima de James, que está sentado em cima de algumas caixas de madeira, ao fundo deles algumas pessoas dançam e cantam alegremente.

– Pensando naquela moça ainda, James? – Pergunta August.

– E tem como apagar algo tão bom da memória? – Devolve James para August sorrindo.

– Realmente não. – Responde August – Hoje eles dão uma grande festa, isso quer dizer que algumas passagens para o convés principal estarão liberadas. – Comenta August. – Não quer ver se consegue reencontrá-la? Eu levo você até lá.

– Tem certeza? – Pergunta James.

– Sim, vamos! – Responde August já se levantando do lado de James.

James também se levanta e começa a seguir August. Os dois conseguem passar para o convés principal que tem poucas pessoas.

– Meu Deus, estava pensando aqui comigo, espero que esse navio não passe por apuros. – Diz August se debruçando sobre a grade do navio.

– Vira essa boca para lá, August. – James dá um leve tapa na cabeça de August.

August sorri.

– Bom, deixarei que você encontre sua princesa e voltarei para a minha festa lá embaixo que por sinal é muito melhor do que essa que ocorre aqui dentro desse andar. – Diz August enquanto se afasta.

– Obrigado, August. – James agradece.


Elizabeth se senta junto de sua mãe ao lado de Colin a mesa. Colin beija a mão de Elizabeth, que sorri timidamente.

– Estou feliz que a senhora e sua filha vieram. – Sorri Colin.

– Minha filha está muito mais, Senhor House. – Mente Sophia.

Colin olha para Elizabeth.

– Muito bom saber disso. – Diz Colin mantendo um olhar sedutor para Elizabeth.

– Ela estava ansiosa por revê-lo, senhor House.  – Afirma Sophia.

A entrada é servida para todos que estão em suas mesas. Elizabeth come com cautela enquanto é observada por Colin que a admira. Todos terminam de degustar, Elizabeth se levanta sob o olhar atento da mãe.

– Onde vai minha filha? – Questiona Sophia.

– Vou ao toalete, minha mãe. – Responde Elizabeth enquanto sai da mesa.

– Será que ela está bem? – Pergunta Colin.

– Acredito que sim, senhor House, logo ela se juntará a nós novamente. – Afirma Sophia.

Elizabeth desvia do caminho  para o toalete e segue para o convés, seu vestido negro começa a mexer um pouco devido ao vento  que sopra do Sul, ela caminha até próximo da grade de proteção.

– Eu só queria um jeito de sair daqui, de sair de tudo isso. Tem hora que parece que irei explodir. – Diz Elizabeth para si mesma enquanto se debruça na grade. – Se eu não existir mais, não serei mais atormentada dessa maneira por ela.

Ao longe James observa a jovem debruçada na grade, ele a reconhece e segue devagar até ela, que por sua vez parece ter uma atitude extrema  ao subir na grade. James apressa o passo pelo convés.

CONTINUA 

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29 comentários sobre “Caminhos do Mar: Capítulo 2

  1. nossa, você eh muito bom em contos, eu li aquele que uma ads personagens se chama josefa, me esqueci o nome do conto, acho que o nome tem alguma coisa com “vidas ” ou “viver”. mas enfim, parabéns, escreve muito bem. nó do blog garota Drama estamos seguindo seu blog! de uma passadinha lá quando puder, vamos ficar tão felizes…

      1. Migo só uma pergunta, isso dela tentar se matar, acontece no filme também…é que eu não lembro de detalhes do filme…. hehehehehe assisti apenas uma vez em minha vida e eu há uns 16 anos atrás, mais ou menos… hehehehe

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