Caminhos do Mar: Capítulo 1


10 de Abril de 1912

Mark Morfield, um grande engenheiro naval, caminha com sua cabeça levantada, se mostra um homem seguro, o corredor onde ele está parece não ter fim, mas tem, ele entra na última sala desse mesmo corredor, um sorriso que conquistaria qualquer um fica estampado em seu rosto.

– Mark, que bom que você veio! Já pensava que você não viria. – Diz um homem grisalho enquanto se levanta de sua confortável cadeira.

Mark se aproxima com o mesmo sorriso conquistador, os dois homens se cumprimentam com bastante cordialidade.

– Eu não poderia deixar de vir ao nosso encontro, esses últimos ajustes dos detalhes do grande navio, Robert. – Mark continua a manter o sorriso enquanto fala com Robert.

– Grande não, Mark, gigante. O seu projeto junto de seus amigos é espetacular, e ano passado como você já deve saber, o teste foi fenomenal.

– Não tenho dúvidas disso, Robert, afinal foi eu quem encabeçou o projeto. – Se vangloria Mark se sentando em uma bela cadeira de madeira. – Ele sairá hoje? – Pergunta Mark olhando para Robert que retornara  para sua cadeira confortável atrás de uma mesa imponente.

– Sairá hoje. – Confirma Robert olhando para o calendário em cima de sua mesa. – E acreditamos que faremos uma boa viagem.

– Tenho certeza de que será uma viagem tranquila, Robert. – Sorri Mark. – Já imaginou cruzar todo o atlântico nesse imponente navio que eu projetei? Não estou desmerecendo os outros grandiosos que vieram antes do meu, mas tenho certeza que esse nem Deus afunda.

Robert olha para Mark, um olhar de desaprovação.

– Não diga uma coisa dessas, Mark. Deus é quem nos protegerá de todos os perigos enquanto estivermos navegando.

– E que perigo haverá? Ondas forte? Rajadas de vento? – Mark sorri. – Isso tudo não está no páreo do grandioso navio. – Garante Mark.

Robert se levanta silencioso, caminha até a janela que dá vista para o Porto de Norman.

– Os caminhos do mar são traiçoeiros, meu amigo Mark, essa é uma lição. Não devemos duvidar nunca de Deus, outra lição. – Diz Robert se viramdo devagar para Mark, que por sua vez mantém uma de suas sobrancelhas arqueada.


Porto de Norman

Algumas crianças correm pelo porto,  admiram com inocência o grandioso navio parado. Algumas pessoas chegam com malas, estarão dentro  do grandioso, outras param seus veículos e admiram muito mais do que as crianças. O navio toca seu grande ‘apito’, as crianças se assustam e correm para trás de seus pais.

Em um beco não muito distante do Porto, dois homens saem pelas portas do fundo de um velho bar, um está alcoolizado e se apoia no outro que se mantêm atento.

– Você bebeu demais, meu amigo! – Adverte o homem loiro.

– Eu só bebi alguns copos, não foi tanto assim, não exagere. – Reclama o homem moreno com a voz embargada. – Eu preciso descansar. – Diz o moreno caminhando com dificuldade até próximo de uma parede.

– Você tem de ir para a casa, Dalton.

– Não enche, ainda é cedo demais para eu estar em casa. – O homem moreno boceja e adormece rapidamente.

– Foi mais rápido do que eu imaginei. – O Loiro caminha até Dalton e se abaixa, enfia a mão no bolso de um velho paletó e retira o que precisa.

– Desculpa meu amigo, mas eu tenho que estar nesse navio. – Ele olha em direção ao porto. – É minha chance de recomeçar, de viver uma nova vida. – Volta a olhar para Dalton. – Você não entenderia. – O loiro se levanta e segue para o porto  de Norman.


Várias pessoas continuam a embarcar no navio imponente, as bem vestidas e que aparentam terem mais fortuna são encaminhadas para os andares mais altos conforme a ‘nobreza’ de cada um. O jovem loiro que instantes atrás estava no beco surrupiando a passagem de Dalton se apresenta, apresenta-se como Dalton e depois de conseguir embarcar ele abre um sorriso vitorioso.

– James Burtt, você tem que parar com isso. – Diz o homem loiro para si mesmo. – Eu já parei, é a última vez, e quando chegar a América vou me redimir. – James sorri enquanto sobe a escada que dá acesso ao convés do navio.

Um homem mal encarado coloca as mãos no peito de James.

– Seu lugar não é aqui, me mostre sua passagem. – Diz o homem com porte de segurança.

James pega a passagem no bolso de sua calça marrom e entrega para o homem que analisa com cuidado, e volta a olhar de forma séria para James.

– Senhor Dalton, seu lugar é um pouco mais abaixo, não é permitida a sua passagem. – Diz o homem mal encarado entregando a passagem para James. – Tenha uma boa viagem.

James o olha de forma seca e se vira, começa a descer a escada, cruza com muitas pessoas chegando até ficar prensado contra as barras de ferro da escada, e quando o sufoco passa, respira aliviado.

– Pão duro esse Dalton, deveria ter arranjado passagem para um andar mais bacana.- James reclama.


No mais alto andar do navio, uma bela jovem com porte de princesa ajuda sua mãe com algumas malas.

– Filha, deixe isso! Não é trabalho para uma dama como você ou eu. – Diz Sophia ao ver sua filha pegando uma mala.

– Mãe, eu também posso carregar, afinal não estou morta, posso muito bem fazer isso. – Desafia a Jovem.

– Elizabeth , faça o favor de me obedecer, não se comporte como seus ouvidos tivessem sido arrancados de você. – Sophia se altera ao falar com a filha.

As pessoas em volta olham para as duas. Sophia fica ligeiramente envergonhada, Elizabeth sorri de sua mãe, que a puxa e leva a filha, deixando que as malas fossem carregadas por algum funcionário do navio.

– Desse jeito,  com esses seus modos não conseguirei de maneira nenhuma um homem de posses para você. – Diz Sophia demostrando estar irritada.

– A senhora continua com essa ideia insana? – Questiona Elizabeth olhando para a mãe. – Não tenho intenção de me casar, minha mãe.

– Já conversamos sobre isso e está tudo decidido, minha filha. Não discutiremos mais, pois não cabe mais conversa em um assunto que já está decidido. – Afirma Sophia antes de entrar em sua cabine.

Elizabeth se chateia, afinal mais uma vez tem sua mãe decidindo seu futuro.

O Navio é posto em movimento, as hélices gigantes submersas começam a girar em uma incrível velocidade. Gigantesco, algumas pessoas no porto custam a acreditar que ele sairá do lugar,  isso pelo fato de não terem visto ele navegando pela primeira vez no ano que passou, essas pessoas que duvidavam e até aquelas que não tinham dúvida alguma se surpreendem ao verem o navio saindo do lugar.

São milhares de passageiros, e milhares de pessoas no porto  se despedindo ou dando um até logo mais, assim também com as pessoas que estão no imponente navio fazem, o navio parte para o seu destino carregando o destino de milhares de pessoas.

CONTINUA

Uma história em sete capítulos, uma ‘adaptação’ do filme que emocionou muitos pelo mundo inteiro.

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