Precioso Viver: Capítulo 2


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CENA 1: Fazenda Vermelha, Campo, Manhã, Exterior

Os gêmeos Ruan e Fernando se encaram com uma raiva controlável, o olhar de ambos se cruzam no embate de uma autoridade inexistente. Isabel surge e fica parada próxima aos dois.

ISABEL: – Vocês estão brigando de novo?

FERNANDO: – Ninguém está brigando aqui. Não vale a pena. – Responde Fernando enquanto sai dali na companhia de seu cavalo.

Isabel abraça Ruan.

ISABEL: – O que houve aqui?

Ruan começa a chorar com a cabeça apoiada no ombro esquerdo de Isabel.

RUAN: – O de sempre, Isabel. O Fernando não é mais como antes, está se tornando como o nosso pai.

ISABEL: – Pelo visto ele já escolheu o caminho dele, Ruan, e admiro a sua boa vontade em tentar mudá-lo.

RUAN: – Agora vejo que somos bem diferentes apesar de sermos parecidos.

Isabel beija o rosto de Ruan, que a olha com amor.

RUAN: – Obrigado por estar aqui, Isabel. – Ruan Agradece enquanto beija Isabel.

Ao longe próximo do estábulo, Fernando observa os dois se beijarem.

FERNANDO: – A única coisa que eu ainda não consegui, droga! – Se irrita e chuta o portão de madeira.


CENA 2: Fazenda Vermelha, Casa, Varanda, Exterior, Manhã

Josefa acredita que ser o momento de entregar a carta que Berenice havia deixado para seus filhos antes de falecer. Durante esses vinte eanos cinco anos, Josefa foi tomada por diversas vezes de curiosidade em ler a carta que sua amiga lhe deixou, Berenice sempre lhe contara quase tudo. Josefa sempre guardou a carta muito bem escondida, mas quando foi para pegá-la, não a encontrou mais. Josefa estranha muito o sumiço repentino da carta, ela desconfia de quem a tenha pegado e vai tirar satisfação.
Antônio está feliz que Fernando e Ruan de nada desconfiavam do que aconteceu no passado, e acredita que Josefa saiba de alguma coisa, pois ele mesmo pegou a carta que estava com ela. Temendo que Josefa tentasse contar algo, Antônio resolve tomar uma atitude. Josefa é pega de surpresa.

Josefa sai da casa e entra na varanda onde Antônio está sentado olhando para o horizonte.

JOSEFA (Irritada): – Eu quero muito falar algo muito importante com o senhor e tenho certeza de que sabe o motivo da minha irritação.

ANTÔNIO: – Não faço ideia do motivo de sua irritação, Josefa. -Mente Antônio. – Agora sou eu que quero lhe dizer algo. – Olha para Josefa. – Agradeço por você ter me ajudado a cuidar dos rapazes, Josefa, mas preciso pedir para que você vá embora, não há mais necessidade de seus serviços.
JOSEFA: – Qual o motivo disso? Certamente há algum motivo maior.
ANTÔNIO: – Não conteste Josefa. Eu simplesmente não preciso mais dos seus serviços. Quero que vá embora o mais rápido possível da minha fazenda.
JOSEFA (Nervosa): – Tudo bem, tudo bem. No mais tardar amanhã irei. Mas não entendo o motivo dessa decisão repentina de nos querer longe daqui, mas fique sabendo que o senhor irá se arrepender amargamente disso. – Josefa sai em direção ao campo.

ANTÔNIO: – Tenho que mantê-la bem longe dos rapazes. – Pensa Antônio observando Josefa se afastar da casa.


CENA 3: Fazenda Vermelha, Campo, Exterior, Manhã

Isabel e Ruan  cavalgam pelos arredores da fazenda como sempre fazem toda manhã. Estão perto da sede quando Josefa grita para sua filha. Isabel desce do cavalo tentando adivinhar o motivo de sua mãe estar tão nervosa.
JOSEFA: – Vá arrumar suas coisas filha! – Josefa é direta.

Isabel e Ruan ficam sem entender nada.
ISABEL (intrigada): – O que aconteceu, mãe?
JOSEFA: – Nada que eu não já esperasse,  minha filha! – Josefa olha para Ruan.
RUAN: – Do que a senhora está falando, Dona Josefa? – Pergunta Ruan descendo do cavalo.
JOSEFA: – Nada, Ruan! Não quero arranjar mais problemas com Antônio, por isso eu e minha filha iremos embora amanhã mesmo. – Diz Josefa da dos as costas e retornando para a casa.

Ruan fica mais intrigado ainda.
RUAN: – O que aconteceu, Isabel?

Isabel olha para Ruan.
ISABEL: – Não sei, Ruan! Nunca ví minha mãe assim, e só sei que terei que ir.
Isabel e Ruan caminham lado a lado.
RUAN: – Você não pode ir, eu tenho uma coisa pra  dizer. Na verdade,  pedir.

Isabel pára.
ISABEL: – O que é?
RUAN: – Eu… – Tenta dizer, mas é interrompido.
Ruan é interrompido por Fernando.
FERNANDO: – O que vocês dois estão fazendo? – Fernando está curioso.
RUAN: – Nada demais,  intrometido! -Responde Ruan.

Isabel abraça Ruan.
ISABEL: – Bem, preciso ir Ruan, e quando quiser me dizer, estarei esperando. – Diz Isabel beijando a face de Ruan e saindo de cena.

Os gêmeos se encaram.

FERNANDO: – Você sabe que o nosso pai não vai aceitar, não sabe? – Questiona Fernando.
RUAN: – Do que você está falando, Fernando?
FERNANDO: – Ora, Ruan! Não se faça de besta, pois eu sei que você gosta da Isabel desde sempre. Iria pedir ela em namoro?

RUAN: – Não é da sua conta! E nosso pai não tem nada de aceitar ou deixar de aceitar, pois a vida é minha. – Diz Ruan dando  as costas e encerrando o assunto.


CENA 4: Fazenda Vermelha, Casa, Varanda, Exterior, Manhã
Ruan quer saber o que aconteceu para que Josefa decidisse ir embora. Ele não quer nem pensar em  ficar longe de Isabel, e segue para falar com Antônio. Antônio está sentado na varanda da casa lendo um de seus livros favoritos quando Ruan chega. Ruan é sem rodeios.
RUAN: – Qual o motivo da Josefa estar decidida em ir embora daqui, pai? – Pergunta Ruan.

Antônio levanta o olhar, fecha o livro e olha para Ruan.
ANTÔNIO (Cínico): – Ruan, talvez ela não goste mais daqui!
RUAN: – Tem certeza que o senhor nada tem a ver com a decisão dela? Talvez o senhor a tenha ofendido de alguma maneira.
ANTÔNIO: – Qual o motivo dessa desconfiança? Eu sempre adorei a presença de Josefa aqui nessa casa, ela que deve ser uma ingrata qualquer.

Ruan analisa Antônio.
RUAN: – Eu sei que há mais alguma coisa aí, meu pai, eu sinto!
Josefa já estava alí há alguns minutos, e Antônio se assusta quando a vê. Josefa aparece e encara Antônio, que pôs sua vez receia que ela saiba muito mais do que aparenta.
JOSEFA: – Tem algo a mais, sim, Ruan! – Josefa fala decidida. – Não vou mais me calar, mesmo que eu não tenho a tal carta em minhas mãos. – Pensa Josefa enquanto olha para Ruan e Antônio.

O olhar dos três se cruzam, e dúvida, medo, desconfiança, certeza é o que se pode sentir diante dos olhares.

CONTINUA…

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