Precioso Viver: Capítulo 1

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Primeira Fase [1991]

Povoado de Aurora 

O povoado de Aurora é conhecida por sua tranquilidade, pela simplicidade de sua gente,sua natureza inspiradora com rios de água cristalina, montanhas e montes encantadores que mantêm alí os que vivem.

Algumas pessoas caminham pelas calçadas de pedras. A maioria se locomove em bicicleta, alguns se cumprimentam, outros somente passam e o sorriso é o cumprimento.

Na Praça Central algumas pessoas sorriem enquanto conversam, um de seus assuntos principais é o poderoso fazendeiro Antônio.

HOMEM 1: – Ele chegou aqui lá pelos anos de 1986 resolveu se instalar nesse local, seus negócios cresceram ainda mais, mas não por meio legal, e sim ilegal. – Afirma o homem parecendo saber de tudo ou quase isso. – Ele trata todos os seus empregados como verdadeiros escravos, se casou algumas vezes, e suas esposas desaparecem misteriosamente.

Outro homem intervém na conversa.

HOMEM 2: – Não falem muito dele, pois o diabo parece que sente quando alguém começa a falar de sua vida. Não costuma aparecer muito por aqui, mas mesmo assim está de olho se é que me entendem.

Todos mudam de assunto, a cena escurece.


Sítio dos Milagres, Sala, Noite, Interior 

Em uma pequena propriedade que fica ao redor da pacata cidade de  Aurora vive também Bráulio Campos junto de sua esposa, Berenice Almeida. 

BERENICE: – Tenho certeza de que seremos muito felizes aqui, Bráulio, essa região é tão pacata, muito acolhedora. (Berenice se senta ao lado de Bráulio em um assento rústico de madeira).

Bráulio toca o rosto de sua esposa antes de beijá-la. O beijo cessa segundos depois.

BRÁULIO: – Concordo com você,  meu amor, será um ótimo recomeço.

Berenice e Bráulio são um casal que se ama muito, porém  meses depois da chegada, tem a infelicidade de cruzar o caminho deles com o caminho de Antônio.


Estrada para Aurora, Manhã, Exterior

Bráulio e Berenice vão caminhando pela Beira da estrada em direção a Aurora quando ouvem uma camionete se aproximar. O veículo para ao lado do casal, Antônio coloca a cabeça para fora.

ANTÔNIO: – Querem uma carona?

Bráulio olha para a esposa e depois volta a olhar para António.

BRÁULIO: – Não vai atrapalhar?

ANTÔNIO: – Não, claro que não, também estou indo para Aurora, entrem!

BERENICE: – Muito obrigado!

O casal entra no veículo e seguem junto com Antônio para a cidade.


DOIS MESES DEPOIS

Fazenda Vermelha, Casa, Manhã, Interior

Desde o dia que Antônio viu Berenice, ele jura que aquela mulher será dele.

ANTÔNIO: – Está na hora de eu ter uma nova esposa, tenho que ter logo um herdeiro. E sim, a Berenice seria uma ótima companheira para estar ao meu lado. (Antônio caminha até a janela com uma taça de vinho na mão esquerda). Mas tenho que encontrar um jeito de tirar o marido dela do caminho, nada melhor do que continuar sendo amigo deles.


Nos dias e semanas que se passam, o astuto Antônio se aproxima aos poucos do casal, cresce a amizade , amizade essa que não passa de um plano para ter Berenice ao seu lado.


Sítio dos Milagres, Manhã

A casa onde vive Bráulio e Berenice é simples,  nada muito luxuoso, o básico era o que se via.

Berenice precisa ir até Aurora muito cedo, e deixa Bráulio dormindo, e o pior acontece. Um homem encapuzado e vestindo uma roupa toda preta consegue abrir a casa sem nenhuma dificuldade, ele está armado e segue para o quarto onde Bráulio dorme.

HOMEM: – Sua hora chegou! (O homem engatilha a arma e dispara).

Alguns pássaros que estavam fora da casa voam com o barulho do tiro.

Antônio encomendara a morte de seu suposto amigo, e assim aconteceu.


Sítio dos Milagres, Casa,  Interior, Manhã

Berenice volta da cidadezinha, ela entra com algumas coisas no cesto, cesto esse que ela deixa em cima da mesa de madeira da cozinha, ela segue para sala e estranha ver a porta aberta.

BERENICE: – Será que o Bráulio saiu?

Berenice segue para o quarto e se depara com seu marido morto. Berenice corre e abraça o corpo já sem vida de Bráulio.

BERENICE: – Meu Deus, Meu Deus, quem fez isso com você? – Berenice se pergunta enquanto chora. – Não!!! – Ela grita desesperada. – Eu não posso ficar sem você, meu amor, não posso. -Berenice continua a chorar sobre o corpo do marido. – Eu estarei sozinha nesse mundo sem você. – Berenice continua a chorar.


Berenice não tinha mais ninguém no mundo, então decide por procurar ajuda em Antônio que havia demonstrado ser um grande amigo. Antônio se vê vencedor após Berenice o procurar, tem a certeza de que logo a terá por completo.


DOIS MESES DEPOIS

Fazenda Vermelha

Não demora, dois meses depois da morte de Bráulio. Antônio pensa que conseguiu o que queria, mas nada sai como o desejado. Berenice,  que agora passa a viver na Fazenda de Antônio, começa a sentir muita ânsia de vômito, e tem tonturas quase frequentes, logo se descobre grávida.

Antônio está sentado na varanda, Berenice se aproxima dele com uma pequena mala na mão direita. Antônio olha para Berenice intrigado.

ANTÔNIO: – O que houve? Está indo embora?

BERENICE: – Eu quero lhe agradecer por sua hospitalidade, mas não posso ficar mais, não desse jeito que estou. – Berenice passa a mão na barriga. – O Bráulio partiu, mas me deixou um presente. – A emoção de Berenice é visível.

Antônio se enfurece ao ouvir isso, Berenice fica assustada, mas ele trata de se acalmar, e na atitude que acabara de ter, revela a Berenice que a ama.

ANTÔNIO: – Desculpe por ter me alterado, mas não precisa ir, Berenice. Eu posso cuidar de você e desse bebê que está vindo, mesmo que você não me ame, mas faço isso pelo meu amigo Bráulio.

Berenice se emociona ainda mais e abraça Antônio, que sorri.

BERENICE: – Muito obrigada, Antônio.  Você é o melhor amigo, a melhor pessoa que Deus colocou no meu caminho.


MESES DEPOIS

Fazenda Vermelha, Quarto, Interior, Manhã

Os meses se passaram, e Berenice agora está para dar a luz, e também teve sua admiração por Antonio, acreditando piamente na bondade dele. Berenice entra no quarto de Antônio, sua intenção é ver se encontra dinheiro para pagar a cozinheira, ela vai direto ao armário dele, e abre uma gaveta, onde encontra uma arma, Berenice se assusta, e fica chocada ao ver a aliança de Bráulio.

BERENICE: – Meu Deus. – Berenice coloca a mão na boca. – A aliança do Bráulio havia sumido no dia em que o mataram. – Berenice se apoia no criado mudo. – Foi ele quem matou meu marido, foi ele! –Berenice conclui.

Ela teme pela vida dela e dos bebês que carrega.

BERENICE: – Eu não posso ficar aqui, não posso. – Olha para a porta, está com medo, ela se levanta. – Ele pode querer fazer alguma coisa com meus filhos, eu tenho que ir embora. – Afirma Berenice saindo do quarto.


Povoado de Aurora, Casa de Josefa, Tarde

Berenice então decide ir embora para bem longe dalí, aproveita que Antônio viajara para São Paulo, ela então segue até o povoado e vai direto a casa de Josefa, uma feirante que se tornora sua amiga. Josefa ouve batidas na porta e vai atender.

JOSEFA: – Berenice? O que houve?

Berenice entra na casa de Josefa.

BERENICE: – Eu estou assustada, preciso de um lugar para ficar.

JOSEFA: – Você pode ficar aqui, Berenice, mas o que aconteceu para você estar assim?

Josefa e Berenice se sentam no sofá.

BERENICE: – Eu descobri quem é o assassino do Bráulio.

Berenice relembra na memória os bons momentos que passou ao lado de Bráulio, e como ele faz falta.

JOSEFA: – Foi o Antônio, não foi?

Berenice levanta a cabeça e olha para Josefa.

BERENICE: – Você sabia que o Antônio era perigoso?

JOSEFA: – Todo mundo de Aurora tem medo dele, Berenice. Ele praticamente não vem aqui na cidade, todo mundo tem medo e ódio, eu achei que você soubesse.

BERENICE: – Eu realmente não sabia. Ele sempre me pareceu uma boa pessoa, mas agora eu vejo que não. Ele é um monstro!

Berenice se levanta com cuidado, sente um líquido escorrer por suas pernas, a bolsa estourara, ela entra em trabalho de parto, Josefa a leva com cuidado para o quarto.


Fazenda Vermelha, Noite 

Antônio chega de viajem,  e procura por Berenice, mas não a encontra em lugar nenhum da fazenda.

ANTÔNIO: – Certamente cansou de estar sozinha aqui e foi para a casa da Josefa.

Ele que não tinha gosto por ir para Aurora, se desloca para lá.


Povoado de Aurora, Casa de Josefa,  Noite

Antônio chega na casa de Josefa em tempo de ver Berenice dar luz à gêmeos, porém algo terrível acontecera. Josefa olha para os lados, sem saber como dar a notícia para Antônio. Antônio se aproxima da cama em que Berenice está.

ANTÔNIO: – Ela só está dormindo, não está?   – Pergunta Antônio segurando a mão de Berenice.

JOSEFA: – Eu queria que isso fosse verdade. – Josefa chora. – Não, senhor Antônio. Infelizmente ela partiu, ela tentou ser forte, mas não aguentou.

Antônio se desespera com tais palavras.

ANTÔNIO: – Não pode ser!  Não!!!  – Grita Antônio segurando o corpo já sem vida de Berenice nos braços. – Me perdoa, me perdoa, Berenice, me perdoa!

Josefa decide por deixar Antônio alí junto do corpo de Berenice. O homem chora copiosamente.

Josefa seguiu para o quarto da filha Isabel, era ainda de colo, e essa chora muito no momento. Josefa segura Isabel nos braços.

JOSEFA: – Mamãe já está aqui, filha. Eu te amo muito, minha pequena. – Josefa beija a testa da filha enquanto começa a tentar fazê-la dormir.

Josefa se casou cedo, mas o marido a abandonou ainda grávida, e por isso vivia da venda de frutas na pequena feira do povoado de Aurora, está sofrendo muito com a morte de sua única amiga. Josefa enfim consegue que Isabel durma, ela segue para sala após colocar a filha no berço. Ela está com a carta de Berenice nas mãos, está curiosa para abrí-la, mas decide que não, respeitaria sim o pedido de sua amiga.

Antônio sai do quarto inconsolável, Berenice esconde a carta, ele abraça Josefa, que se espanta com a atitude do homem.

ANTÔNIO: – Eu não vou conseguir criar esses dois meninos sozinhos, Josefa. Sei que não sou uma pessoa confiável, mas mesmo eles não sendo meus filhos, estou disposto a registrá-los como tal, e talvez isso seja uma forma de eu me redimir.

Gonçalo sai do abraço e se senta no sofá, ele está choroso.

ANTÔNIO: – Eu preciso que você me ajude, Josefa. Não posso deixar que esses meninos vivam sem um pai, sem alguém, eu também não sou um monstro para fazer isso. – Diz Antônio se lembrando do dia em que mandou um de seus capangas matar Bráulio. – Você vai me ajudar?

JOSEFA: – Eu não poderia deixar de ajudar, senhor Bráulio, são filhos da minha amiga, eu tenho que ajudá-los.

Gonçalo se levanta do sofá e abraça Josefa mais uma vez.

ANTÔNIO: – Muito obrigado, Josefa. – Antônio chora no ombro de Josefa.

JOSEFA: – Que Deus o perdoe, Antônio. – Pensa Josefa.


25 ANOS DEPOIS

Fazenda Vermelha, Campo, Exterior, Manhã 

Ruan e Fernando cavalgam lado a lado, parecem estar disputando uma corrida, e Fernando consegue chegar na frente. Fernando desce do cavalo rapidamente.

FERNANDO: – Você é igual a mim, mas não é tão rápido, tem que melhorar, irmão.

Ruan se aproxima em seu cavalo.

RUAN: – Você sempre está disputando alguma coisa comigo, Fernando, não se cansa?

FERNANDO: – Você é um tolo que acha que pode me vencer, mano, eu nunca perco.

Ruan desce do cavalo e se aproxima do irmão.

RUAN: – Eu simplesmente não ligo para isso. Você está igualzinho ao nosso pai, parece que só se importa com apostas e tudo que está relacionado ao dinheiro.

FERNANDO: – Você é que não sabe curtir a vida, maninho. Você com suas poesias e tudo mais, só pensa em amor, amor e mais nada, acorda pra vida, pois isso não fará você um cara respeitável.

Ruan fica muito próximo do irmão.

RUAN: – Eu tinha orgulho de ser seu irmão, Fernando, pois você também acreditava no que eu acredito até hoje, e agora se tornou azedo que nem o nosso pai.

FERNANDO: Sabe o que aconteceu? Eu cresci!

RUAN: – Não mesmo! Você se perdeu no caminho da vida e não sabe mais o que é viver.

FERNANDO: – Lá vem você com suas ladainhas poéticas. Me poupe disso tudo.

Fernando sai puxando seu cavalo, Ruan o segura pelo braço.

RUAN: – Idiota, é isso que você é!

Os gêmeos se encaram com raiva.

CONTINUA…

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