Luz dos Olhos: Capítulo 20


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Fazenda Nascente, Manhã

Gonçalo anda por entre as árvores que acompanham todo o caminho de entrada da fazenda,  seus olhos estão marejados, ele olha para o céu que ameaça a formação de nuvens de chuva, Rodrigo se aproxima do pai. Gonçalo abraça o filho.

RODRIGO: – Pai, nós iremos enterrar minha avó.

Gonçalo olha para o filho, ele toca o rosto de Rodrigo, e se emociona.

GONÇALO: – Tenho certeza que ela adoraria ouvir você chamando ela assim, por avó.

RODRIGO: – Eu também adoraria chamá-la assim todo dia, meu pai.

GONÇALO: – Eu sei que lá no lugar onde ela estiver, estará cuidando de nós.

Rodrigo e Gonçalo saem caminhando até a sede da fazenda.


Rodovia Assis Cruz, Manhã 

Ramón está no carro, tem uma expressão séria,  seus olhos estão atentos ao movimento da rodovia.

RAMÓN: – Com certeza ele foi para Nevedo ou para fazenda, lugares  que eu nunca pensei que ele pusesse voltar, mas a vida tem essas surpresas. Eu deveria deixá-lo sozinho, sem ninguém, mas não posso, pois não sou como você.

Ramón acelera o carro visando chegar logo em Nevedo.



Nevedo, Rua, Manhã 

Cássio caminha pela calçada, os olhos estão vermelhos por tanto chorar o passado, um passado que ele acredita não ser capaz de inserir o perdão. Cássio cruza a rua sem se importar se vem ou não carro, não se importa se já chegou a sua hora ou se falta muito. Ele não tem coragem para pedir perdão ao seu irmão, quer se esconder de alguma forma de tudo e de todos.

CÁSSIO (pensa): – Eu sei que ela me ama, mas não posso fazê-la sofrer desse jeito, não posso. Desculpa, Dorothy, eu não mereço você.

Cássio continua a andar sem rumo pela cidade de Nevedo.


Arraial, Casa dos Matoso, Sala, Tarde

Ingrid sai do quarto e vai para  cozinha, parece estar fraca, Bibiane a observa atentamente.

BIBIANE: – Filha, você está bem?

Ingrid olha para a mãe.

INGRID: – Eu não sei mãe, estou me sentindo enjoada, não sei o que acontece comigo.

BIBIANE: – Enjoada? Desde quando isso?

INGRID: – Há uma semana, eu não sei direito, mas é quase todo o dia.

BIBIANE: – A gente tem que chamar o doutor aqui pra ver isso,  filha.

INGRID: – Ele vai dizer que é uma virose qualquer, mãe.

BIBIANE: – Mesmo que ele diga isso, não podemos deixar você assim sentindo essa tontura.

Bibiane se aproxima da filha, momento em que Ingrid deixa cair o copo que segura e desmaia sendo segurada por Bibiane.


Fazenda Nascente, Tarde

Rodrigo caminha sozinho pela Fazenda, pensa em Ingrid, quer vê-la de novo mesmo estando tão pouco tempo longe.

RODRIGO: – Eu a amo demais, está em todo canto que eu vá, mas preciso estar com ela, sinto que ela precisa de mim de alguma maneira.

Rodrigo se vira e vê sua mãe vindo com uma certa pressa em sua direção. Brenda se aproxima de Rodrigo.

BRENDA: – Vai ficar aí ou vai vir conosco?

RODRIGO: – Nós já vamos? Achei que ficaríamos mais.

BRENDA: – Seu pai decidiu assim, filho e a dona Mariana, sua avó deixou no testamento que ela queria que seu pai vendesse essa propriedade.

RODRIGO: – Será que ele vai vender?

BRENDA: – Eu não sei, filho, ainda é muito cedo para saber o que fazer, sua avó acabou de ser enterrada.

RODRIGO: – Verdade, mãe.

BRENDA: – Vamos, pois a viagem até Arraial é cansativa, e também sei que você já está morrendo de saudade da Ingrid.

RODRIGO: – Não tem como deixar de sentir saudade, mãe, eu amo ela.

BRENDA: – Mas espero que vocês dois tenham tido juízo.

Rodrigo se cala e começa a caminhar em direção a sede da fazenda, Brenda o observa.


Arraial, Casa dos Matoso, Sala, Noite

Bibiane segura a mão de Ingrid, mãe e filha estão sentadas no sofá, uma olha para a outra, os olhares se entendem.

INGRID: – Como vai ser agora, mãe?

BIBIANE: – As coisas tomarão o rumo que tem que tomar. Você deveria ter pensado nisso enquanto estava se divertindo com o Rodrigo, mas isso não é o fim do mundo, filha.

A porta da sala se abre, Rui entra com uma expressão de preocupação.

RUI: – Vocês não sabem o que aconteceu!

Rui caminha até Bibiane.

BIBIANE: – O que houve?

Rui abraça a mulher rapidamente.

RUI: – O Cássio desapareceu, ninguém sabe onde ele está. O Ramón foi atrás dele, mas duvido que ele encontre, já que ele não conhece Nevedo assim tão bem.

BIBIANE: – Vamos torcer para que ele consiga encontrar sim, Rui, pois apesar  de tudo o Cássio não merece ficar perdido por aí.

RUI: – Você tem razão, por isso vou fazer algo que o Ramón me pediu. Ligarei para o Gonçalo, sei que ele poderá ajudar de alguma forma.

BIBIANE: – Sim, faça isso, pois o Gonçalo é a melhor chance do Cássio agora. O Gonçalo vai ajudar. Mas depois eu e sua filha queremos dizer algo muito importante.

RUI: – Algum problema?

BIBIANE: – Ligue para o Gonçalo, depois você saberá, meu amor.

RUI: – Está bem, mas quero saber de tudo.

Rui olha para Ingrid que está olhando para o chão. Ele segue para o quarto. Bibiane volta a se sentar ao lado da filha.


Rodovia Assis Cruz, Noite

Gonçalo está parado no acostamento, ele olha para o celular que acabara de tirar de perto do ouvido.

GONÇALO: – O Cássio está desaparecido.

Gonçalo olha para Brenda que está ao seu lado.

BRENDA: – Como assim?

GONÇALO: – Parece que ele sofreu um acidente em casa, foi levado ao hospital, mas fugiu e o Ramón acredita que ele esteja em Nevedo.

BRENDA: – Você vai atrás dele, Gonçalo?

Gonçalo olha para a esposa e depospis se vira para trás e olha para Rodrigo.

GONÇALO: – Eu queria dizer que não, que deixaria ele onde estivesse, mas eu não sou assim (chora).

BRENDA: – Nós entendemos, Gonçalo. Você não é igual a ele, e por isso que eu amo você.

RODRIGO: – Você tem um coração gigante pai que não guarda ódio.

GONÇALO: – Obrigado, vocês dois são tudo pra mim.

Gonçalo coloca o carro em movimento, eles seguem para Nevedo.


Nevedo, Rua, Noite

Cássio está fraco, se mantêm sentado em um banco de uma praça, olha para a rua que perdera grande parte de seu movimento, ele chora.

CÁSSIO: – Ele não me deixou ir para o Colégio interno, ele me protegeu, muito diferente de mim que mais tarde o traiu, que tentou acabar com a vida dele sem pensar, eu não mereço estar  aqui.

Alguns trovões podem ser ouvidos,  uma garoa fina se inicia. Cássio se levanta do banco em que está, tira forças da dor que sente e volta a caminhar pela Praça. Ramón passa de carro bem em frente onde Cássio estava sentado, ele olha com cuidado para ver se o vê, mas nada.

RAMÓN: – Onde você se meteu? Aparece cara! Espero que o Rui tenha falado com o Gonçalo, ele conhece muito bem toda essa cidade.

Ramón continua sua busca.


Gonçalo entra na cidade de Nevedo, o carro vai devagar.

RODRIGO: – Pai, eu preciso ir ao banheiro.

GONÇALO: – Vou parar no posto logo alí em frente e você vai.

Gonçalo para do outro lado da rua, Rodrigo sai do carro rapidamente e segue direto para o posto.

GONÇALO: – A noite fica mais difícil para procurar.

BRENDA: – Não vamos desistir de encontrar ele, meu amor.

Gonçalo sorri e aperta suavemente a mão de Brenda, ele olha para fora e vê que Rodrigo está se encaminhando para o carro, tudo é muito rápido.

GONÇALO: – Cuidado, filho!!! (Grita).

Rodrigo não vê o carro vindo em sua direção, só percebe quando seu pai grita, seria tarde demais, mais um empurrão o faz cair longe, o motorista do carro tenta parar , mas não consegue, Cássio é atingido em cheio.

CONTINUA…

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