Luz dos Olhos: Capítulo 19


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Fazenda Nascente, Sala, Noite

Mariana começa a chorar, mas se engana quem pensa que o choro dela é de tristeza, muito pelo contrário, a senhora chora por estar tão perto do filho novamente, filho esse que ela não viu crescer, mas conviveu vinte anos com ele sem saber da verdade. Mariana retira de dentro do livro que acabara de fechar, um documento que está dobrado, e o entrega para Gonçalo.

MARIANA: – Esse era o registro do meu filho.

Gonçalo olha para Mariana e tenta entender o motivo dela estar chorando.

GONÇALO: – Do que também se chamava Gonçalo?

MARIANA: – Sim, aquele que tive de abandonar por medo de perder minha vida.

GONÇALO: – Você nunca disse o nome do seu marido, dona Mariana.

MARIANA: – Quando você ler esse documento,  você saberá, Gonçalo. Agora irei me deitar, pois estou muito cansada.

Mariana se levanta do sofá, Gonçalo também, ela o abraça.

GONÇALO: – Obrigado por confiar em mim dessa forma, dona Mariana. Você é como a mãe que eu não tive, e nesses vinte anos torcia para que a senhora fosse realmente minha mãe.

MARIANA: – Não tinha como ser diferente, Gonçalo, mas amanhã conversaremos mais sobre isso, se Deus quiser.

Mariana sobe as escadas lentamente.

GONÇALO: – Bom descanso.

Mariana olha para Gonçalo e sorri.

MARIANA: – Obrigado, filho.

Mariana segue para o quarto sorridente.


Quarto de Mariana

Mariana se deita na cama, está com sono, ela pensa em Gonçalo, pensa no pai dele, o choro que havia sido interrompido, agora retorna.

MARIANA: – Eu queria ter mais tempo para ficar com ele, poder dizer  quanto orgulho tenho dele ser meu filho, mas sei que meu momento já chegou, e nada posso fazer.


Sala

Gonçalo se senta no sofá e abre o documento que estava dobrado, ele nota ser uma certidão de nascimento, analisa o nome Gonçalo e fica boquiaberto ao ver que tem o mesmo sobrenome que ele.

GONÇALO: – Sou eu (chora emocionado) ela é minha mãe.


Arraial, Hospital, Noite

Dorothy segura a mão de Cássio que está sendo levado para fazer alguns exames, ele sorri para ela quando cruza a porta e tem de soltar sua mão. Dorothy chora enquanto se apoia na parede branca da parede, sente como se tivessem arrancado uma parte dela ou a deixando no escuro. Dorothy obtém forças e segue até a capela dentro do hospital, ela se ajoelha perante o altar.

DOROTHY: – Eu sei que parece que o Cássio não deve ser salvo, mas cuide dele por mim, meu senhor, sei que existe algo muito bom dentro dele, eu sei disso. Ele há de não ter nada.

Dorothy chora com os olhos fixos na Cruz.


Fazenda Nascente, Quarto de Mariana, Manhã 

Gonçalo não pegara no sono durante a noite, ficou pensando em tudo que aconteceu, ficou com os pensamentos principalmente no que descobrira. Ele não tinha dúvidas, por isso está desejoso de conversar com Mariana. Gonçalo bate na porta do quarto de Mariana algumas vezes, mas ela não atende, e ele se preocupa. Gonçalo percebe que a porta não está trancada, então entra.

GONÇALO: – Mariana, a senhora está aí?

Gonçalo não ouve resposta e segue, ele se depara com ela na cama, parece estar dormindo,  porém ele estranha não haver movimento nenhum de respiração. Gonçalo anda depressa até próximo da cama de Mariana, e constata o pior.

GONÇALO: – Não, a senhora não pode ter morrido assim, mãe, não mãe. Volta pra mim mãe (chora).

Gonçalo abraça o corpo já frio da mãe e chora.


Arraial, Hospital, Quarto, Manhã 

Cássio parece hipnotizado pelo ventilador,  seus olhos lavrimejam, o médico entra no quarto.

MÉDICO: – Cássio?

Cássio não dá atenção e continua a olhar para o ventilador no teto.

MÉDICO: – Você não tem nada, aparentemente, mas creio que seu desmaio foi causado por algum fator emocional, logo você poderá ir para casa. Posso deixar sua esposa entrar?

O médico continua sem resposta, ele sorri e se vira para sair do quarto.

CÁSSIO: – Eu não quero falar com ninguém.

O médico olha para Cássio que mantêm uma expressão séria.

MÉDICO: – Tudo bem!

O médico sai do quarto e fecha a porta. Cássio olha para a porta e se levanta rapidamente da cama.

CÁSSIO: – Eu não posso mais viver assim, não devo mais viver assim.

Cássio coloca as mãos na cabeça, seu choro é inevitável. Ele vê suas roupas em uma poltrona ao lado da cama, as veste e abre a porta, ele sai escondido.

Dorothy entra no quarto e não vê Cássio, ela fica aflita, sai procurando pelo hospital, mas não o encontra, então se desespera.


Rua Dom Pedro, Manhã 

Cássio caminha pela calçada, não tem rumo certo, só quer se manter longe de tudo e de tudos,  algumas lágrimas ainda escorrem, seus passos são cada vez mais rápidos.

CÁSSIO: – Eu mesmo cavei minha sepultura com tudo que fiz, eu mesmo plantei tudo isso, não devo pedir ajuda de ninguém, pois não tenho alguém que me estenda a mão, eu estou colhendo o que eu escolhi plantar.

Cássio vê uma mulher saindo de um táxi, assim que ela se afasta, ele entra no carro.

CÁSSIO: – Para Nevedo, por favor!

O motorista o olha e sorri.

MOTORISTA: – Como o senhor quiser, Patrão.


Fazenda Nascente, Sala, Tarde

Um médico se aproxima de Gonçalo que está abraçado a Brenda.

MÉDICO: – Ela não quis contar nada, Gonçalo. Mas nesses dias que ela descobriu que você era o filho dela, ela foi muito mais feliz.

GONÇALO: – Eu deveria ter vindo antes.

BRENDA: – Não fique assim meu amor.

GONÇALO: – Meu pai mentiu pra mim a vida toda, a vida toda. Eu não pude estar com minha mãe esse tempo todo.

BRENDA: – Você esteve esses vinte anos ao lado dela, Gonçalo, guarde todos os bons momentos que você viveu.

Rodrigo se aproxima dos pais e os abraça.


Nevedo, Noite

Cássio sai do táxi, ele olha para os lados e segue pela calçada.

CÁSSIO: – Tenho que acabar com isso tudo de uma vez.

Cássio se senta na calçada e olha para cima.


Arraial, Casa de Cássio, Sala, Noite

Dorothy está sentada no degrau da escada, a porta se abre, ela se levanta achando ser Cássio.

DOROTHY: – Ramón?

RAMÓN: – Sim, você me ligou preocupada, então eu vim,

DOROTHY: – Eu preciso de você, meu primo.

RAMÓN: – Pra onde o Cássio foi?

DOROTHY: – Eu também não sei, Ramón,  ele fugiu do hospital.

Ramón se senta no sofá.

RAMÓN: – O que deu na cabeça dele agora?

DOROTHY: – Ele está transtornado com o reaparecimento do irmão, com tudo isso que está acontecendo.

Ramón se levanta rapidamente do sofá.

RAMÓN: – Vou encontrar ele pra você.

Dorothy se espanta ao ouvir isso.

DOROTHY: – Sério que você fará isso?

RAMÓN: – Sim, minha prima, eu não sou um monstro, eu sim tenho coração.

CONTINUA…

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