Desejo de Viver: Capítulo 25



Cidade de Vale das Pedras, Cemitério

Pedro começa a andar por entre os túmulos do cemitério, está profundamente abatido.

NESTOR: Onde você vai?

Pedro se vira e olha para Nestor.

PEDRO: Vou caminhar por aí!

Nestor se aproxima de Pedro.

NESTOR: Nessa chuva? É perigoso, Pedro.

PEDRO: Eu não tenho medo, Nestor!

NESTOR: Não é se tratando de medo. Você pode pegar uma gripe ou outra coisa mais grave.

Pedro suspira. As gotas da água da chuva escorrem por seu rosto, ele encara  Nestor por alguns segundos, até se virar e continuar o caminho.

PEDRO: Me deixa!

Nestor fica inerte em meio a chuva enquanto Pedro se afasta.


Bairro Morro Alto, Casa de Sônia 

Sônia desperta após sentir que está sendo chacoalhada por alguém, ela abre os olhos por completo e vê José.

JOSÉ: Quem fez isso, Sônia?

Sônia se senta,  está meio zonza.

JOSÉ: Eu cheguei agora aqui e me espantei com tudo isso.

SÔNIA (chora): Minha filha! Mataram minha filha,  José!

JOSÉ: Eu sinto muito, Sônia!

José abraça Sônia, que chora. Alguns policiais entram e verificam a cena do assassinato de Rafaela. Sônia sai do abraço de José.

SÔNIA (chora): Ela disse antes de ser assassinada -suspira- eu não sei como, mas minha filha disse claramente que foi Amélia quem mandou aqueles homens aqui. Eu não quero crer que ela estivesse falando da mãe do Nestor.

JOSÉ: Nós vamos resolver tudo isso, Sônia.

José ajuda Sônia a se levantar.


Edifício Castro, Apartamento de Rodolfo 

Rodolfo e Amanda entram no apartamento, vão direto ao sofá após fecharem a porta.

RODOLFO: Essa chuva serve para lavar a alma.

AMANDA: Quem dera se isso acontecesse com o Pedro, pai. Aquele homem está completamente arrasado.

RODOLFO: Eu espero que ele se recupere logo, pois afinal tem um filho que está na incubadora precisando dele.

AMANDA: Eu torço para que o Nestor consiga ajudar ele de alguma forma.

RODOLFO: Seu irmão não é um herói, filha. Desculpa, mas não consigo imaginar ele ajudando uma pessoa a se reerguer, ele também é frágil.

AMANDA: O Nestor mudou muito pai, eu confio nele.


Aeroporto

A chuva continua forte, as pessoas que estão nos carros saem apressadas e entram no aeroporto. Amélia segue direto para o portão de embarque, nas mãos, uma passagem para Bruxelas, ela sorri satisfatoriamente. Amélia passa a mão no cabelo, ela suspira, está aliviada.

AMÉLIA (pensa): Ainda não terminei aqui, mas tenho que ir, só assim depois poderei terminar o que comecei -sorri fartamente- Ninguém imagina o que planejo, imaginava, mas aquela já está mortinha da Silva.


Praia de Vale das Pedras 

Pedro está próximo a um grandioso rochedo, ele observa as ondas do mar com muita atenção. A chuva dá uma trégua. Pedro se senta em uma pedra próximo ao grande rochedo, ele tem o olhar entristecido, os cabelos molhados devido a chuva.

A distração de Pedro faz com que ele não veja Nestor chegar. Nestor fica parado, observa Pedro, até que ele decide se aproximar um pouco mais.

NESTOR: Sei que está muito cedo, mas você tem que reagir, Pedro.

Pedro o encara.

PEDRO: Não entendo o que você faz aqui!

NESTOR: Eu só quero tentar te ajudar.

PEDRO: Eu não preciso!

NESTOR: Não se esqueça que você tem um filho, Pedro. Ele precisa de você ao lado dele, sei que está sendo difícil.

Pedro se irrita e segura Nestor. Os dois ficam face a face.

PEDRO: Você não sabe o quanto é difícil, pode até tentar imaginar, mas não chegará perto. Eu acabei de enterrar a mulher da minha vida, nunca mais vou vê-la, você não entende o que é isso!

Pedro está fora de si, começa a apertar o braço de Nestor, que tira seu braço dentre as mãos dele.

NESTOR: Eu só queria ajudar, mil desculpas!

Pedro se vira e começa a andar pela areia da praia.

PEDRO: Vai ajudar muito mais se ficar longe de mim!

Pedro se afasta cada vez mais. Nestor se senta na areia molhada da praia.

NESTOR (pensa): Mereço! Mereço! Assim eu deixo de ser intrometido. Mas não vou deixar de me importar com você.


DIAS DEPOIS

Cidade de Vale das Pedras, Hospital 

Pedro está no corredor da sala em que ficam as incubadoras,  Ele observa seu filho em uma das incubadoras, tenta conter as lágrimas, mas é impossível.

PEDRO: Você foi a única coisa boa disso tudo, filho. Vou estar sempre com você.

Gustavo se aproxima do amigo.

GUSTAVO: Se tudo correr bem, daqui um mês mais ou menos, ele já pode ir pra casa, Pedro.

PEDRO: Obrigado por tudo, Gustavo.

GUSTAVO: Não precisa agradecer, meu amigo. Estou muito feliz que você esteja melhor.

PEDRO: Eu devo uma parte disso a um puxão de orelha que levei. Vou tentar continuar firme, por eu mesmo e por meu filho.

GUSTAVO: Qualquer coisa que precisar, conte comigo!

PEDRO: Obrigado mais uma vez.

Gustavo abraça Pedro rapidamente e sai pelo corredor. Nestor cruza com Gustavo no corredor, ele para ao ver Pedro, que não o vê.

NESTOR (pensa): Não estou com vontade de levar outra patada, é melhor eu voltar outra hora.

Nestor dá meia volta, mas já é tarde, pois Pedro o vê.

PEDRO: Nestor!?

Nestor fica parado de costas para Pedro, que espera ele se virar.


Amanda toma um café distraidamente na recepção do hospital.

AMANDA (pensa): Vou lá com o Nestor.

Amanda se vira de forma repentina e acaba derrubando café em Gustavo que passa.

AMANDA (envergonhada): Desculpa! Desculpa, Doutor! Eu não quis fazer isso.

GUSTAVO (sorri): Tudo bem! Não queimou, não foi nada!

Gustavo olha melhor para Amanda, que também o olha com a mesma intensidade.


Bairro Morro Alto, Casa de Sônia

Sônia está sentada no sofá de casa diante de um retrato de Rafaela. Sônia chora ao se lembrar dos momentos felizes com a filha. A campainha toca, Sônia enxuga as lágrimas, ela vai até a porta e abre. José levanta o olhar ao ver Sônia a porta.

JOSÉ: Eu preciso contar algo muito importante, minha  amiga.

SÔNIA: Você descobriu algo, José?

JOSÉ: Digamos que sim.

Sônia olha para José, que se mostra um pouco preocupado, os dois se olham.

CONTINUA…

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4 comentários sobre “Desejo de Viver: Capítulo 25

  1. Oi Jair td bem? Vc escreve novelas…vc fez algum curso…um dia desses vi que tinha curso, acho bem bacana o que vc escreve e o seu trabalho de juntar as letrinhas.abs

      1. Legal…Qdo comecei a escrever uma pessoa disse q eu trabalhava bem com as virtudes e os vícios dos personagens.E, antes de concluir o romance revisei e percebi o quanto eh importante a gente entrar pelas vísceras emocionais. E como a gente tá sempre aprendendo tô continuando na estrada…boa noite

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