Desejo de Viver: Capítulo 3


Cidade de Praia Branca,  Casa dos Almeida 

Quarto

Doutor Vítor examina Bruno atentamente, Berenice chora. Vítor terminha de examinar Bruno, que já não respira mais. Berenice se senta ao lado do corpo do marido.

BERENICE: Ele devia ter me contado sobre esse câncer.

VÍTOR: Não havia mais nada para se fazer, Berenice.

BERENICE: Ele sofreu calado por tanto tempo!

VÍTOR: Desde que vocês chegaram do centro-oeste, eu conheci o que é ter amigos de verdade. Ele deixará saudades!

BERENICE (chorando): Obrigado por tudo, Doutor. Um dia eu ainda te pagarei!

VÍTOR: Não se incomode com isso, Berenice! Estou aqui como um amigo.

Berenice abraça Vítor, ela chora muito.



Casa de Vítor 

Pedro sai por alguns instantes e retorna com seu carro, ele deixa em frente a casa, a chuva diminui sua intensidade, mas ainda garoa, ele entra na casa.

PEDRO: Tem certeza que você não quer esperar pelo doutor?

CATARINA: Não precisa e eu quero saber como está meu pai!

PEDRO: O que seu pai tem?

CATARINA: Ele tem um câncer!

PEDRO: É curável?

CATARINA (chorando): Não.

Pedro percebe ter tocado em um ponto bem delicado e no instinto, ele abraça Catarina, que recosta Av cabeça no peito dele.

PEDRO: Tudo vai ficar bem! Mantenha a esperança e a fé em Deus primeiramente.

Catarina demonstra estar  um pouco mais calma.

CATARINA: Me leva até onde eu moro?

PEDRO: Claro!

Pedro se levanta do sofá e pega Catarina nos braços, eles saem da casa de Vitor. Pedro vai até o carro, abre a porta  do lado do carona e coloca Catarina com cuidado sentada no banco, ele dá a volta e também entra no carro, e parte para a casa de Catarina.



Cidade de Vale das Pedras, Bairro Navegante, Casa dos Lemos

Já é tarde da noite. Rodolfo está sentado na sala com as luzes apagadas, e derrepente a porta da casa se abre, Nestor entra e liga a lâmpada, seu pai o olha desconfiado.

RODOLFO  (irônico): Chegou cedo!

NESTOR (mentindo): Eu estava com alguns amigos, pai!

Rodolfo se levanta e fica cara a cara com o filho.

RODOLFO: Para mim, você não precisa mentir, ouviu?

Nestor balança a cabeça afirmativamente. Rodolfo se vira e sobe a escada enquanto  Nestor o observa.

NESTOR: Droga! Ele sabe o que eu ando fazendo! 

Nestor joga a mochila que estava em suas costas, no chão.



Cidade de Vale das Pedras, Bairro Formoso, Casa de Manoel 

Manoel, Rafaela e Sônia, que acabara de chegar estão sentados na sala, silenciosos. Rafaela é encarada pelos pais.

MANOEL: Filha, sua mãe quer seu bem, acredite!

RAFAELA: Se quisesse mesmo o meu bem, ela  não me impediria de ficar com o Frederico.

Manoel fica incomodado, mas disfarça.

SÔNIA: Nós já conversamos sobre  isso, Rafaela. Aquele rapaz, o Frederico -ela olha pra Manoel- não gosta mais de você, dá pra perceber.

RAFAELA: A senhora só viu ele umas três vezes, mãe! Claro que ele gosta de mim, pois se fosse diferente, ele já teria me dito. Eu quero ser independente de vocês dois, sabe!?

MANOEL: Para fazer besteira como você sempre faz?

SÔNIA: Você quer  ser independente, então venha trabalhar comigo na agência, é um primeiro passo, que tal?

RAFAELA: Na agência, mãe? 

MANOEL: Na agência, sim! É uma ótima forma de você começar a agir feito uma adulta.

Rafaela olha para os pais e abaixa a cabeça.

RAFAELA: Está bem! Vocês venceram!


Amanhece

Cidade de Praia Branca, Casa dos Almeida

Catarina chorou o resto da noite praticamente toda, não pregou os olhos, Pedro mesmo sem a conhecer direito, ficou ao seu lado dando apoio. Catarina está sentada na areia da praia, olha as ondas avançarem e recuarem. Pedro se aproxima dela e se senta, ele olha de soslaio pra ela.

PEDRO: Eu sei o que você está sentindo. Perdi meu pai muito cedo e há três anos perdi minha mãe para um câncer, ela era tudo pra mim, era meu porto seguro.  É difícil saber lidar com a partida de alguém, todos temos o nosso tempo.

Catarina olha para Pedro.

CATARINA: Vou sentir muita saudades dele, dos abraços, das histórias que cresci ouvindo. 

PEDRO: Ele já está pra sempre com você, Catarina -aproxima a mão da cabeça de Catarina- na sua memória -aproxima a mão do lado esquerdo do peito de Catarina- no seu coração.

Catarina olha para Pedro e esboça um sorriso tímido. O sol nasce e os dois alternam em olhar para a beleza de seu nascer e se olharem.



Cidade de Vale das Pedras, Bairro Navegante, Casa dos Lemos 

Nestor vê o pai saindo para trabalhar, espera o momento certo e desce pela escada, quando está no último degrau, sua mãe aparece.

AMÉLIA: Filho!

Nestor se vira e encara a mãe.

AMÉLIA: Eu preciso falar com você, meu filho.

Nestor tem um olhar de dúvidas para a mãe.


CONTINUA…


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