Desejo de Viver: Capítulo 1


 

Cidade Vale das Pedras, Bairro do Arraial, Casa de Pedro

Pedro está no quarto em frente ao computador terminando de editar seu último trabalho. Ele passa a mão no rosto, está cansado, mas quer terminar a edição de uma vez. Pedro olha para o celular ao lado da caneca de café, ele pega o celular, que toca.

PEDRO (sorri): Bem na hora!

Pedro atende a ligação após colocar o celular próximo ao ouvido.

PEDRO (ao celular): Sônia?

SÔNIA (do outro lado da linha): Sim, meu querido! Tenho uma missão pra você.

PEDRO (ao celular): Ir à caça de novas modelos pra agência? 

SÔNIA (do outro lado da linha): Virou vidente agora?

PEDRO (ao celular): Quando você fala em missão, eu já imagino isso!

SÔNIA (do outro lado da linha): Roda o interior  todo e tente encontrar aquela jovem que você, como fotógrafo, acredite no potencial dela.

PEDRO (ao celular): Ok, e hoje mesmo entrego a edição das fotos da Rafaela.

A ligação é encerrada. Pedro termina o que estava fazendo, ele olha para a tela do celular. 

PEDRO: Vou começar pela cidade da minha mãe, farei uma homenagem a ela.



Cidade de Praia Branca

Casa dos Almeida, Quarto

Catarina está ao lado da cama de seu pai, ela observa atentamente mesmo que de forma caseira, a saúde do pai. Berenice entra no quarto com uma sacola branca contendo remédios.

BERENICE: O farmacêutico me deu um bom desconto, filha.

CATARINA: Amanhã mesmo vou procurar emprego. Nós não podemos ficar sofrendo desse jeito pra sempre, mãe.

BERENICE: Eu sei filha, mas acredite que tudo vai melhorar!

Bruno, pai de Catarina abre os olhos 

BRUNO: Você ainda tem esperança de que o José volte, Berenice? Ele nos esqueceu.

BERENICE: Não diga isso, homem. Nosso filho nunca se esquecerá da gente.

BRUNO: Pare de se iludir, mulher! O José não voltará– ele tosse-.

CATARINA: Vamos parar vocês dois. Pai, o senhor não pode se esforçar muito!

Berenice entrega os remédios para a filha e sai do quarto. Catarina dá o remédio para o pai, e deixa que ele descanse.


Varanda

Berenice está na varanda, ela olha para o mar, sorri ao se lembrar de seu filho mais velho. Catarina se aproxima da mãe e se coloca ao lado dela.

CATARINA: Eu não me lembro direito do José, mãe. Mas sinto saudades dele mesmo assim.

BERENICE: Um dia ele voltará e você vai conhecer ele, filha. 

Catarina abraça a mãe com carinho, Berenice chora no ombro da filha.



Cidade Vale das Pedras, Bairro Navegante, Casa dos Lemos

Amanda vem descendo a escada, logo atrás dela surge Nestor.

NESTOR: Rápido maninha ou eu te empurro desta escada.

Amanda para e encara o irmão.

AMANDA: Deixe de brincar com essas coisas, Nestor. Cresça e deixe de ser criança.

Amanda termina os degraus da escada, ela segue para cozinha, Nestor vem logo atrás mexendo no celular, os dois se sentam a mesa. Rodolfo, pai deles observa Nestor se sentar e não se desgrudar do celular, ele olha pra Amélia, que nem liga.

RODOLFO: Larga esse celular,  Nestor! Você já tem 23 anos, devia agir  como adulto.

Nestor deixa o celular de canto e encara o pai.

NESTOR: Não posso mais me divertir, pai?

RODOLFO: Você já se diverte demais.

AMÉLIA: Deixa o nosso filho em paz, Rodolfo! Toda manhã é a mesma coisa.

RODOLFO: Essa sua super proteção vai te dar muitas dores de cabeça, mulher!

AMÉLIA: E  essa  sua falta de proteção levará nosso filho a ruína, Rodolfo.

Amanda pega uma maçã da bandeja de frutas e se levanta  sob o olhar curioso de sua mãe.

AMÉLIA: Já  terminou, Amanda? 

AMANDA: Nem havia começado, mas suas brigas matinais me tiraram a vontade de tomar café aqui em casa.

RODOLFO (preocupado): Onde você vai filha?

AMANDA: Vou a casa de meu tio!

Amélia olha feio para a filha, que nem se importa com a raiva descabida da mãe.

AMÉLIA: A gente  já tinha conversado sobre isso! O que você vai fazer na casa daquele ser?

AMANDA: Não é pelo fato da senhora não gostar dele que eu também vou deixar de gostar. O José é meu tio sim, e nada vai mudar isso.

Amanda sai da cozinha apressada. Amélia fica furiosa por sua filha ter enfrentado ela.



Cidade Vale das Pedras, Bairro do Rosário, Casa de José 

José está no escritório da casa, ele se mantêm concentrado na tela do tablet, só perde a concentração quando a campainha toca, ele se levanta, cruza a sala e vai até a porta, pelo olho mágico consegue ver quem é, a porta é aberta.

JOSÉ: Amanda! Tudo bem?

AMANDA: Desculpa ter vindo sem avisar, tio.

JOSÉ: Não é preciso se desculpar, Amanda. Só estranhei o fato de você estar aqui tão cedo. O que houve? 

José deixa Amanda passar e fecha a porta.

AMANDA: Minha mãe quer  proibir de eu vir aqui ver você.

José e Amanda vão até o sofá e se sentam.

JOSÉ: Quando ela vai aceitar a decisão do irmão dela!? Eu também  não queria ter ficado com isso  tudo, mas o Valentim disse e deixou bem escrito que caso eu me recusasse a cuidar dos bens dele, esses bens seriam doados para a igreja.

AMANDA: Você fez bem em aceitar o testamento do meu tio, José. Minha mãe terá que aceitar, cedo ou tarde.

Amanda retira de dentro da bolsa, uma pasta com vários papéis.

AMANDA: Mas mudando de assunto, eu tenho aqui os contratos dos novos clientes da agência, só falta o senhor assinar.

JOSÉ: Eu estava aguardando por esses papéis mesmo! Vou acabar te contratando depois desse estágio, Amanda. Você está se saindo muito bem.

Amanda entrega os papéis para José, que pega a caneta no bolso da camisa e começa assinar de imediato.



Cidade Vale das Pedras, Bairro Morro Alto,Casa de Sônia 

Sônia sai da cozinha, entra no corredor, anda um pouco e para em frente ao quarto da filha, ela bate na porta a primeira vez, mas fica tudo em silêncio, uma segunda tentativa, e nada. Sônia dá meia volta e depois de ir até a despensa, ela retorna com um molho de chaves. Depois de testar várias chaves, Sônia abre a porta do quarto da filha e se depara com a janela aberta.

SÔNIA: Ela fugiu!

Sônia sai do quarto, pega o celular no bolso da calça e disca o número do ex marido. 

SÔNIA (ao celular): Alô, Manoel! Você está em casa?

MANOEL (do outro lado da linha): Não, estou no trabalho. O que houve?

SÔNIA (ao celular): Nossa filha fugiu de novo!

MANOEL (do outro lado da linha): Meu Deus, essa menina não toma jeito!

SÔNIA (ao celular): Se ela aparecer por aí, me avisa imediatamente.

MANOEL (do outro lado da linha): Sim, eu te avisarei! 

A ligação é  encerrada. Sônia se senta no sofá, coloca as mãos na cabeça e tenta pensar no lugar onde a filha possa ter ido. 



Cidade de Praia Branca 

Casa dos Almeida 

A tardezinha já se faz presente. Catarina está sentada na varanda da pequena casa olhando a chuva que se aproxima pelo mar, ela sente o vento ganhar  força, Berenice  aparece na porta, está chorando.

BERENICE:  Filha,  vá chamar o médico!

CATARINA (assustada): O que aconteceu com meu pai, mãe? 

BERENICE (Chorando): Ele piorou, filha. Vá buscar o médico.

CATARINA: Eu vou, mãe!



Praia Branca/ Rodovia 

Catarina começa a chorar, a chuva começa forte, a jovem corre pela praia, olha para trás e sua casa se distancia,  ela sobe um pequeno barranco e corre por alguns metros até chegar na rodovia, seus cabelos estão molhados, a roupa ensopada. Catarina está tão com medo de perder o pai que tanto ama que não olha para os lados ao atravessar a rodovia, ela arregala os olhos em meio a chuva ao ver um carro se aproximar dela,mas o motorista freia, ela cai no chão.

Pedro sai do carro assustado, pensa não ter tido tempo de frear, ele corre até onde está a moça caída e se abaixa. Catarina se mexe e se senta no chão, está tremendo. Pedro e Catarina se encaram em meio  chuva toda que cai, o farol do carro de Pedro ilumina os dois.

CONTINUA…


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7 comentários sobre “Desejo de Viver: Capítulo 1

  1. Nossa, já gostei….próximo capítulo já, agora!!!!! Tenho que concordar com o comentário acima, adorei a vibe modelo, sei lá me lembrou verdades secretas, sei que a história vai seguir um rumo diferente, mas achei interessante essa coisa de modelo. Gostei desse primeiro capitulo, parabéns! Mais uma história, lá vou eu!

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