O Outro Eu: Capítulo 4


 Hotel Pedra de Ouro, Município de Pedra Solta

   Tudo parece ser fantasia, imaginação da cabeça de alguém que está ficando louco, mas ninguém que presencia os gêmeos frente  a frente está louco. Heitor fica paralisado tal qual feito Hiago, que o olha incrédulo.

    Heitor enxuga as lágrimas. A cabeça,  os pensamentos dão um nó no momento, Heitor e Hiago estão se vendo, até as recepcionistas se calam diante de tal cena, as pessoas que estão não saguão param ao verem a igualdade de aparência dos dois homens. Gabriel chega gritando para Hiago, então Heitor acaba indo embora, confuso com tudo aquilo.

    – Eu disse pra você que eu não estava ficando louco, cara!     Diz Gabriel.

 Hiago se vira e não vê mais seu outro eu.

      – Cadê ele? Ele estava aqui!

      – Ele foi embora, senhor!            Responde o funcionário que acompanha Hiago.

     – Você devia ter acreditado em mim, Hiago.      Diz Gabriel.

     – Como se explica isso?           Hiago se questiona.

     – Ele só pode ser seu irmão, cara! Não tem outra explicação.

    Os três entram no elevador, o funcionário aperta o décimo nono andar. 

     – Eu não tenho irmão, Gabriel, não tenho!

    Hiago diz, mas em pensamento começa  a se questionar, a questionar seus pais, a questionar muitas coisas.

                                                                                                          

Hospital Santa Teresa 

  Heitor não consegue entender o que acabara  de vivenciar, ele sai do táxi e entra no hospital Santa Teresa, não se aguenta e quando vê Juliano, ele o abraça e começa a chorar.

        – Heitor, se acalma!           Juliano pede.

     – Eu não sei como será minha vida sem minha mãe, Juliano. Ela significava tudo pra mim.

   Heitor sai do abraço de Juliano, ele olha pro amigo.

     – E  acho que essa notícia me pegou tão de surpresa, que até estou tendo ilusão, uma espécie de loucura.

    – Do que você está falando, Heitor ?           Juliano questiona ao ver a aflição do amigo.

     – Você pode achar que estou louco ou alguma coisa do tipo, mas quando eu deixei o elevador do hotel, me deparei com um homem idêntico a mim, parecia que eu estava de frente a um espelho, Juliano.

    Juliano encara Heitor, fica pensativo.

      – Você não está louco, meu amigo.

      – Como?

     – Eu preciso te contar uma coisa, algo que sua mãe me disse antes de morrer.

    Heitor olha com surpresa para Juliano, sua mente está tão  embaraçada que nem consegue imaginar o que seja.

                                                                                                              

Hotel Pedra de Ouro

   Hiago caminha de um lado pro outro na suíte, Gabriel o observa.

     – Você ficar desse jeito não vai adiantar  de nada, Hiago. Liga para os seus pais e tira essa dúvida de uma vez.

       – Meus pais não me enganariam,  Gabriel, eu sei disso.

    Hiago afirma sem convicção alguma, já que a dúvida paira sob sua cabeça.

       – Ninguém disse isso, cara. Liga pra eles!

  Gabriel entrega o celular para Hiago, que digita o número da casa dos pais. A conversa é longa, Hiago começa a chorar, coisa que faz Gabriel ficar admirado, pois seu amigo sempre demonstrara ser uma pedra de gelo, mas agora ele vê que a tal pedra parece ter derretido. Hiago encerra a ligação.

 Gabriel abraça o amigo,  que desanda a chorar copiosamente.

     – Eu queria poder te ajudar de alguma forma, Hiago. Seus pais esconderam de você uma verdade dessas, eles não tinham o direito.

    Hiago se senta em uma poltrona.

     – Eu sei o que fazer pra enfrentar meus pais, que na verdade nunca foram meus pais de fato. Não deixarei isso barato, não mesmo.

        – O que você está pensando em fazer, cara?

  Hiago olha de forma misteriosa para Gabriel, que se arrepia com a forma que seu amigo olha.

                                                                                                               

  É um novo dia. A chuva chega para ajudar a levar um pouco da dor da alma, se é que isso seja possível em um momento de despedida, de descoberta. Heitor se despede da mãe no enterro, Juliano segura o guarda-chuva.

      – Eu ainda não consigo acreditar que minha mãe me escondeu esse segredo, Juliano. Mas nunca que eu ficaria com ódio dela, nunca!

        – Ela não fez por mal, Heitor.

        – Eu sei, meu amigo. Só que estranhamente não deixo de ficar com essa angústia no peito.

  Os dois amigos conversam enquanto caminham até a saída do cemitério. Heitor levanta o olhar e vê o seu irmão se aproximar, ele para.

        – Preciso falar com você, Heitor, não é isso?

      Hiago se aproxima um pouco mais e estende a mão.

        – Sim, isso mesmo.

     Os gêmeos  se encaram.


Continua…


|| Esta é uma obra de ficção baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade||


#BEDS90

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