Fruto Proibido: Capítulo 6


                                      Olhos Abertos

                                                                                                               

Roma, Itália 

   Os olhos de Marcello se abrem, ele sente a claridade do sol, está debruçado na janela de um pequeno apartamento em um bairro periférico de Roma. As lembranças parecem recentes, realmente só parece, pois já faz 10 anos desde a última vez em que viu Víctor. Marcello observa os carros passarem, as pessoas na calçada, e tem a ilusão de ter visto Víctor ainda pequeno olhando pra ele de forma dura e insistente.

     – Eu deveria ter fugido com você, eu deveria ter feito alguma coisa pra não me separar de você, fui fraco, droga!        Diz Marcello com olhos marejados.

    Alguém o abraça por trás, as mãos delicadas, as unhas pintadas de um azul vibrante percorre toda a costa de Marcello. O telefone toca de forma insistente, ele ameaça atender, mas a mulher que está com ele atende primeiro.

     – É sua mãe, Marcello!         Diz a mulher.

   Marcello caminha até próximo do telefone e pega o aparelho das mãos da mulher, as lágrimas que estavam por cair, caem de uma vez, a notícia da doença de seu pai o abala. O telefone é desligado, a mulher  tenta abraçar Marcello, mas ele se desvia e segue até o quarto, procura uma mala, e assim que acha, coloca as roupas dentro dela, a tal mulher se aproxima da porta.

     – Você vai embora?          Questiona  a mulher.

     – Sim. Voltarei pra Serra Nova ainda hoje.      Responde Marcello enquanto fecha a mala.

     – E nós dois?                A mulher insiste. 

   Marcello a olha, então começa a rir.

     – Catarina, você sabe que nunca existiu nós dois, meu coração é de outra pessoa!             Diz Marcello.

     – Você acha que o senhor Guilhermo Lorenzi vai dar o braço a torcer?                Questiona Catarina se virando e saindo.

   Marcello  olha ela indo embora.

     –  Não sei, mas estou disposto a tudo pra viver o que eu deixei para trás.           Diz Marcello para si mesmo.

                                                                                                           

Fazenda Belo Monte, Zona rural de Serra Nova, Brasil

   Víctor parece estar viajando, os olhos fechados o levam para anos atrás, uma rápida passagem no momento mais feliz e também o mais triste de sua vida, e quando os olhos se abrem, está de frente pra um pé belíssimo de maçã. Mário estranha o silêncio do filho.

      – Víctor, Víctor!        Mário chama o filho.

   Víctor olha para o pai.

      – Onde você estava?           Pergunta Mário sorrindo.

      – Eu estava aqui, pai.         Víctor responde.

      – Parece que estava com a cabeça em outro lugar ou em alguém.             Mário comenta.

   Víctor fica visivelmente envergonhado com o comentário do pai, mas Mário o abraça.

     – Ei, filho! Nada de ficar com vergonha, você sabe o quanto eu te apoio, e não quero você envergonhado por uma bobagem dessas.              Diz Mário.

     – Eu plantei junto com ele esse pé de maçã, pai!       Diz Víctor.

     – Viu como ele está bonitão, os frutos estão suculentos, sinal de que foi plantado com muito amor, com o amor de vocês, e enquanto ele estiver assim, o sinal é claro.         Mário comenta com um sorriso.

     – Que sinal, pai?        Víctor pergunta.

     – De que vocês se amam ainda.            Responde Mário.

     – Não acredito, pai. Afinal ele está na Itália há 10 anos, todas as cartas, os e-mails nunca foram respondidos, com certeza se esqueceu de mim.             Afirma Víctor.

     – Filho, você se esquece do pai que o Marcello tem? Sinceramente não acredito que ele tenha se esquecido de você ou de Serra Nova.       Diz Mário.

   Pai e filho conversam enquanto caminham, olham as macieiras carregadas de frutos.

     – Você será dono de tudo isso, filho! Quero você a frente de tudo e mostrando pro Guilhermo que você será um ótimo produtor de maçãs, assim como eu sempre fui. Ele verá que você é muito melhor do que pensa.                 Diz Mário sorrindo enquanto mexe no chapéu que o filho usa.


Continua…

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