AMOR TRAVESSO: Capítulo 7


  Tudo muda em um pequeno instante.  A tristeza se torna alegria, e essa se transforma em tristeza, o ódio em amor, e esse em indiferença.

   Enquanto está desmaiada, Clara pensa ou sonha com todos os pequenos momentos que esteve com Samuel, os beijos, os abraços,  as palavras de conforto, de carinho. Ela mirou aqueles pensamentos que também eram sonhos  nos olhos azuis de seu amor, deseja mesmo  calada nunca esquecer daquele sorriso,  daqueles olhos. Os conselhos de sua madrinha também estão presentes,  imponentes e alegres, as melhores lembranças de uma vida.

    Clara é levada desacordada para um hospital, seu rosto agora não é mais o mesmo, não é o que tinha sido há poucas horas. Cortes profundos, parece tudo desfigurado por conta dos estilhaços de vidro e pedaço de ferro lançado da explosão absurda do carro, ela está toda machucada.

    Na comunidade de Nascente Verde, dona Esperança está lavando as louças,  pequena quantidade de pratos e copos, quando se sente mal, seu coração começa a palpitar, seu corpo começa a adormecer, uma dor forte na cabeça e uma última pontada no peito a faz cair sem vida no chão.

    No Rio de Janeiro,  Samuel anda de um lado para o outro na cozinha, ele está com o celular nas mãos,  parece desesperado. O celular toca a primeira vez, a segunda vez, na terceira ele atende com um sorriso no rosto, mas a medida que se ouve a outra voz do outro lado da linha, seu sorriso se fecha, seus olhos marejam, e as lágrimas são inevitáveis, ao ouvir aquela terrível notícia,  suas pernas falham e ele fica de joelhos, sua dor, sua raiva faz com que ele arremesse  longe o celular. Samuel se senta, encolhe as pernas e se põe a chorar copiosamente.

     Em um dos quartos daquela casa gigantesca,  Heloísa recebe a tão esperada notícia por meio de um aplicativo e comemora com um grandioso sorriso no rosto em frente ao enorme espelho na parede de seu quarto. A porta do quarto se abre com violência,  Heloísa é pega com fúria pelos braços, Samuel a puxa com toda força que tem.

       – Fora daqui! Fora dessa casa! 

   Samuel grita sem se importar com nada, com ninguém.

       – Você não é mais minha mãe! Você é uma assassina! Fora dessa casa, demônio!

   Os gritos de Samuel  são ouvidos por seu pai, que se aproxima em sua cadeira de rodas, essa cadeira não existiria, mas existe e essa culpa é toda de Heloísa.

      – O que acontece aqui, alguém poderia me explicar?   

    Virgílio está sem entender aquilo tudo, ele percebe o olhar de ódio  de Samuel  para Heloísa.

      – Essa não é a minha mãe!  Esse ser doente não  é minha mãe!

    Samuel grita com raiva.

      – Você vai  para cadeia. Agora,  fora dessa casa de uma vez por todas!     

    O sangue de Samuel ferve, se seu olhar pudesse matar, teria matado. Virgílio olha apavorado  para o filho e Heloísa.

    Fora daquele casa, a noite parece ter feito pacto com o frio extremo, pois a temperatura cai drasticamente e o vento gelado sopra. Longe dalí,  o corpo de Clara repousa sobre uma maca,  os médicos, enfermeiros estão ao seu redor,  olham fixamente para o rosto , se é que se pode se chamar de rosto,  da moça.

     – Pessoal! Esse é nosso maior desafio, vamos nos agarrar a Deus,  mesmo que muitos de nós insista em não acreditar nele, mas nós precisamos dele nesse momento, vamos nos concentrar em salvar a vida dessa moça, vamos crer que ele nos orientará para que tudo saia  da melhor  forma.

     A voz do homem ecoa por toda aquela enorme sala de cirurgia.


Continua…


#BEDS12

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