RETRATO – Encontro Marcado: Capítulo Final


 



Bento viu o filho sair em alta velocidade, e ficou preocupado com o que pudesse acontecer naquela noite que já começava tensa.

– Liga para polícia e diga o que está ocorrendo, Liandro!  -Pediu Bento-.

– Onde você vai?    – Perguntou Liandro preocupado-.

– Vou atrás dos nossos filhos!     – Disse Bento já saindo rapidamente-.

Liandro só ouviu o carro de Bento sair rapidamente, então fez o que ele pedira. Liandro avisou a polícia do que acontecia.


Flora estava em alta velocidade, não pensava em mais nada de bom, sua lucidez desapareceu por completo, agora só queria se vingar. Natan estava desmaiado no banco de trás do carro e não podia sentir ou saber que Flora estava levando ambos para morte.


Serafim acelerou cada vez mais o carro na tentativa de interceptar Flora, mas sem sucesso e se desesperava mais e mais a cada minuto que passava. Seu maior desejo naquele momento era de tirar Natan, seu grande amor, das mãos de Flora, por isso não desistiu.


O  carro de Serafim conseguiu ficar lado a lado com o carro que Flora conduzia, ela percebendo que estava sendo perseguida acabou pegando um atalho bem perigoso acelerando mais ainda para tentar despistar o outro veículo que ela perseguia.

– Ela só pode estar louca mesma! Tenho que arrumar um jeito de tirar o Natan de lá, não posso deixar que ela faça mal à ele.  -Disse Serafim ao acelerar o carro um pouco mais-. 


Bento não estava acreditando no que estava vendo, o carro de seu filho e o outro veículo estavam indo pela estrada mais perigosa daquela região, ele temeu pelo pior.


Liandro estava preocupado, andava na sala da casa de Bento de um lado para o outro quase sem parar  quando a campainha tocou lhe dando um grande susto. Ao atender, Liandro viu que era Omar, então permitiu que ele entrasse.

– Cadê todo mundo?  – Omar estranhou-.

– Depois que você ligou para nós deixar alerta sobre sua irmã,  ela veio aqui e levou meu filho! O Serafim  saiu a socorro do Natan e seu tio também foi atrás.  -Disse Liandro quase chorando-.

–  Temos que rezar e acreditar que tudo terminará bem, Liandro.        -Disse Omar na tentativa de confortá-lo-.



Natan despertou e viu que estava em um carro em alta velocidade, e quando viu Flora no  volante, ele temeu por suas vidas.

Flora entrou na antiga ponte que ligava a cidade a outra, mas sequer imaginava que ela estava em reconstrução, faltando a parte final, Natan percebeu que alí era perigoso e mesmo que o que ele estava pensando em fazer fosse arriscado,  decidiu ir em frente, então abriu a porta do carro e se jogou, rolou até parar no canto da ponte, seus olhos se levantaram bem na hora que o carro de Flora decolou e caiu em queda livre se chocando em seguida contra o rochedo e explodindo.


Serafim freou o carro bruscamente ao ver aquilo, e imaginou que Natan ainda estivesse dentro do carro, porém Natan surgiu na frente do carro dele, mancando e com várias escoriações pelo corpo.

Serafim saiu rapidamente do carro e pegou Natan nos braços, a emoção era grande em ver seu amor bem, mesmo que com alguns machucados. Bento chegou em seguida, e sentiu um alívio no peito quando viu que os dois estavam vivos.

– O carro onde ela estava, explodiu depois que caiu, pai!  – Disse Serafim-.

– Filho, a Flora fez as escolhas dela e ninguém vai mentir por ela, vamos dizer toda a verdade que existe e deixar que Deus decida o resto.  -Disse Bento ao tocar o ombro do filho-.

Natan ressonava nos braços de Serafim, entraram no carro e voltaram para casa. À polícia foi contada todas as verdades dos fatos ocorridos.



Liandro estava conversando com Omar tentando tirar todos os pensamentos ruins que insistiam em aparecer quando Bento , Natan e Serafim entraram, a emoção foi grande em ver que todos estavam bem. 

– E o que houve com minha irmã?     -Perguntou Omar-. 

– Infelizmente ela morreu, Omar!  -Disse Bento ao abraçar o sobrinho-.

– Ela fez a própria sentença dela, tio! Ela poderia estar viva se tivesse deixado essas loucuras de lado, se tivesse tentado viver a vida dela sem querer sempre ferir os outros.     -Disse Omar enquanto chorava-.

– Você tem razão, Omar!  -Disse Serafim ao também abraçá-lo-.

– Obrigado pelo apoio de vocês!    -Agradeceu Omar tentando esboçar um sorriso-.


Estavam todos sentados na sala de casa quando um temporal começou, Natan que agora estava com algumas faixas no braço esquerdo e perna levantou e foi até a janela para ver a chuva chegar, Serafim o abraçou por trás  e ficou tentando adivinhar os pensamentos de seu amor.

– O que a chuva significa para você, Serafim?  Perguntou Natan com os olhos vidrados na chuva que caia.

– Significa para mim, algo bom, um renascimento, uma fixação de pertencimento.

– Penso o mesmo, meu amor!  -Disse Natan sorrindo para Serafim-.

– Você sempre ficou encantado pela chuva, desde que éramos crianças, quando ela começava você simplesmente largava tudo o que estava fazendo e ia olhar ela cair, parecia até que você esperava algo chegar por meio dela.    –Disse Serafim olhando nos fundos dos olhos de Natan-.

– Tenho um pouco de medo, confesso, por isso que a vigio sempre que posso, mas ela também me dá calma. Se existisse outras vidas, arrisco dizer que a chuva fez parte de alguma maneira crucial em minha vida.   -Sorriu Natan-.

– Você é um ser humano incrível, Natan! Amo você para sempre, para sempre.  

Serafim fez com que Natan se virasse para ele e o beijou de forma intensa, não desejava sair daquele beijo nunca, estava beijando quem ele sempre amou. 

Um barulho foi ouvido por todos que estavam alí na sala, mas imaginaram ser um trovão, pois o som foi parecido. Serafim pegou Natan nos braços e foram para o quarto em meio a beijos e sorrisos.


Omar ficou na sala Depois que Bento e Liandro também subiram. Ele estava quase agarrando no sono, quando uma lembrança nítida surgiu em sua mente, ele abriu os olhos.

– Obrigado, pai, por permitir que eu me arrependesse e me redimisse dos erros cometidos no passado!!! –Disse Omar de joelhos no chão-.   

Uma voz branda ecoou na mente de Omar.

– Você fez a coisa certa nesse tempo, você fez a coisa certa!  Disse a voz.

Omar pegou no sono alí mesmo no sofá da casa de seu tio.


Aquela noite trouxera uma surpresa para Serafim e Natan que ao acordarem e irem ao jardim notaram uma árvore diferente naquele local. Liandro também achou estranho ao ver aquela árvore alí, pois no tempo que trabalhava alí,  nunca que a notou naquele local.

– Ela é tão bonita!  -Disse Natan-.

– Parece ser gigantesca também!    – Serafim olhou pra cima-.

– Acho que é um presente para vocês.    -Brincou Omar-.

-E que presente!    -Exclamou Bento boquiaberto-.

Natan e Serafim ficaram sentados alí debaixo daquela árvore. Até que Serafim se lembrou do desenho que iria mostrar para Natan, pegou do bolso de sua calça e o desamassou, abrindo para que Natan pudesse olhar.

– Eu sabia que você havia me desenhado naquele dia! Disse Natan olhando o desenho retratado.

– Acho que foi uma forma de homenagear você,  a pessoa que eu tanto amo.  -Disse Serafim-.

Os dois não ia acreditar no que estava acontecendo senão estivessem vendo com os próprios olhos, o retrato estava se ‘retratando’ e no local do desenho onde Natan estava desenhado nu na cama de Serafim surgiu um outro desenho, bem parecido com a forma que eles estavam naquele momento.

          –  Você viu?  – Perguntou Natan admirado-.

          – Sim, parecia surreal.      -Afirmou Serafim-.


Liandro estava parado olhando pela janela seu filho e Serafim juntos quando Bento o abraçou.

– Desculpa!!! Pediu Bento.

– Pelo que?      -Perguntou  Liandro-.

– Por ter deixado passar tanto tempo, por não ter sido seu há muito tempo.   -Disse Bento-.

– Não se preocupe com isso, agora! O importante é que estamos juntos.  – Liandro abraçou Bento-.


Serafim beijava Natan a cada segundo.

– Nunca vou me cansar de você, nunca!  –Disse Serafim mexendo nos cabelos de Natan-.

– Eu também não, pois quero você ao meu lado para sempre!  -Natan encarou Serafim-.

–  Que assim, seja, meu amor!  -Serafim beijou Natan-.

É hora de colher

E plantar para o futuro!

Por isto fica permitido aos novos tempos dizer EU TE AMO!

Uma vez pela manhã, outra pela tarde e outra pela noite, no mínimo!

Fica estabelecido uma nova lei, a lei do amor!

E fica permitido conhecer a verdade da vida, 

A ausência da morte e a eternidade da alma!

Fica permitido entender que o erro é um estágio da evolução

E principalmente fica totalmente permitido perdoar e se perdoar!

Fica permitido poupar água, compartilhar comida,

Cuidar dos enfermos, do corpo físico e espiritual!

Fica permitido a presença de irmãos iluminados

Levando luz e amor aos hospitais, escolas e aos centros de recuperação física e espiritual!

Ficam permitidos o bem, a paz, a compaixão e a caridade!

E revogam-se todas as permissões em contrário!”

FIM

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20 comentários sobre “RETRATO – Encontro Marcado: Capítulo Final

  1. “Você sempre ficou encantado pela chuva, desde que éramos crianças, quando ela começava você simplesmente largava tudo o que estava fazendo e ia olhar ela cair, parecia até que você esperava algo chegar por meio dela.” Amei essa parte 😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍 Amo observar a chuva *.*

  2. Então foi o Omar que matou eles, né? Que bom que ele se redimiu de seu passado! 🙂 Ficou sensacional a história, meu amigo! Gostei muito de ter lido essa também! 🙂 🙂 😀 E que belas palavras no final, salva de palmas!!!! Ficou muito bom Jair, gostei muito 😘

      1. Sim… E quero mais! Amo ler suas histórias… nem conhece de fato você, mas já te considero pacas, meu amigo hahahahahaha, eu me identifico muito com o que escreve, gosto das histórias, você parece ser uma pessoa muito legal e com certeza estarei aqui para ler o que você escrever 🙂 😀 Pode contar comigo😘

      2. 🙌 também digo o mesmo Phelipe 😊☺ e pode contar sempre comigo, pois já te considero muito mesmo, e tenha plena certeza de que acompanharei seu cantinho também sempre ❤

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