Amor e Poder: Capítulo 2


Diego, o ‘estranho’ começou a remar devagar e sentia seu coração cheio de felicidade com o sorriso de Manoel. Eles percorreram toda a extensão do lago num pequeno barco de madeira que era lindo de se ver, a quase todo momento eles se olhavam como se quisessem dizer algo,  mas o medo não permitia que o fizesse. Aquele passeio foi um renovo para Manoel que depois de tudo que passou , se sentiu querido outra vez.

Diego saiu do barco e assim como da primeira vez, pegou Manoel em seus braços,  mas algo fez com que ele se desequilibrasse,  Manoel sofreria uma queda que poderia ser fatal, mas Diego caiu primeiro fazendo com que o outro caísse em cima dele,  ficando os dois face a face.

– Obrigado, Diego!!!

– Não precisa me agradecer! -Sorriu Diego ao olhar nos fundos dos olhos dele-.

Com todo cuidado,  Diego  levantou e o pegou nos braços novamente,  levando Manoel até onde haviam deixado a cadeira de rodas, mas não a encontraram.

– Cadê ela,  Manoel ?

– Nós a deixamos aqui pelo que eu me lembre.

– Eu também me lembro bem!

– Será que roubaram?     -Cogitou Manoel ao perguntar-.

– Se a roubaram  foi uma total falta de humanidade o que fizeram!

– Vou ligar para minha mãe pra que ela venha me buscar, Diego!

– Não precisa, eu levo você!

– Tem certeza? Você já foi tão bacana comigo e isso sem me conhecer!

– Não precisa conhecer muito você para saber que você é um  cara especial, e não falo por causa de sua condição,  mas sim pelo seu coração.

Manoel ficou sem palavras,  não sabia o que dizer sobre aquele elogio repentino, mas agradeceu.

– Obrigado por pensar dessa maneira!

Diego levou Manoel até o seu carro e de lá seguiram para casa. Os dois iam se divertindo com as músicas que tocavam na rádio até que chegaram.

Henriqueta chegou em casa no mesmo instante em que Diego carregava nos braços seu filho e estranhou aquela situação. Ela apertou o passo e os alcançou na sala da casa.

– O que houve com meu filho?  -Perguntou Henriqueta num tom autoritário-.

– A cadeira de rodas de seu filho foi roubada, senhora, então eu o trouxe até aqui!  –Respondeu Diego ao colocar Manoel no sofá-.

– Obrigado por ter ajudado meu filho, mas agora ele já está em casa!

– Mãe, deixe de ser arrogante!

– Eu não conheço ele, meu filho, não sei é bom caráter.

– Para com suas asneiras, mãe,  ele me ajudou e você acha que não fosse bom caráter eu estaria aqui?!

 – Não sei, Manoel! Vou subir.   -Disse Henriqueta dando as costas para os dois-.

Diego olhava meio envergonhado aquilo tudo, e Manoel percebeu o estado dele.

– Não liga para ela, Diego!  Minha mãe é muito excêntrica. Obrigado por tudo hoje!

– Foi maravilhoso o dia de hoje.  Posso dar um abraço em você?

– Pode, claro!

O abraço foi caloroso,  algo inexplicavelmente conectava os dois, e antes do abraço se desfazer, Diego encostou os lábios próximo a orelha de Manoel e sussurrou:

– Quando precisar de mim, pra qualquer coisa, só me ligar!

As mãos dos dois se tocaram ao Diego passar seu número. Manoel sentiu um arrepio estranho, mas ao mesmo tempo bom e sorriu com aquele sorriso cativante que ele possuía.

 – Quando quiser, pode voltar! Disse Manoel sorrindo.

 – Voltarei assim que possível! Diego piscou o olho.

Henriqueta não achou legal o fato de um estranho ter entrado em sua casa, e assim que Diego saiu, ela retornou nervosa.

– Não quero um estranho na minha casa,  Manoel!

– Ele tem nome,  Dona Henriqueta!

– Não me importa se ele tem nome ou deixa de ter, ele poderia ser um ladrão querendo roubar minha casa, meu dinheiro.

– Deixe de ser exagerada! Sabe qual o seu problema?

– Eu não tenho problemas,  meu filho!

– O seu problema é o dinheiro… você não se importa com mais nada além do dinheiro. Você não se importa se estou ou não feliz. Sabe o que eu estava pensando em fazer hoje mais cedo quando fui até o lago?

– Você está sendo injusto comigo!

– Eu fui até o lago na tentativa de acabar com todo esse meu sofrimento! Mas o Diego apareceu e ficamos conversando, foi tão bom que eu esqueci o real motivo por eu ter saído essa manhã. Um estranho se importa mais comigo do que a senhora,  mãe!

– Eu quero o seu bem, meu filho, acredite!  Ele poderia nos roubar,  não sabemos qual a verdadeira intenção dele. Ele pode nos querer roubar.

– Saia daqui, mãe! Não quero mais ouvir tanta bobagem,  não quero que você ofenda as pessoas dessa maneira. A senhora tem medo de que eu possa fazer alguma coisa com essa maldita herança que não pertence a mim, mas ao meu pai!

– Seu pai, Manoel?  Seu pai nos abandonou,  deve estar morto, entenda isso de uma vez por todas!

– Não importa o que você diga, mãe,  eu sei que meu pai está vivo,  em algum lugar por aí!

– Acredite no que você achar melhor! disse Henriqueta ao subir as escadas.

Manoel passou a ir todos os dias naquele lago, parecia que ele sentia alguma coisa boa que o confortava sempre quando estava alí. Suas manhãs eram agora cercados de pensamentos positivos,  apesar de sua mãe não achar bom que ele saísse, mas ele não ouvia os descasos dela. Já ia saindo quando viu Diego saindo do carro e vindo em sua direção,  já fazia uma semana desde a última vez que se viram, e ao vê-lo mais uma vez, Manoel sentiu algo diferente,  algo muito bom.

– Manoel?  Manoel?  -chamou Diego por ele que estava distraído-.

– Oi!  -Sorriu Manoel-

– Como você está?

– Melhor agora, Diego!

– O que faz por aqui?

– Vim esquecer dos problemas, e você o que faz aqui?

– Talvez meditar um pouco!

Os dois ficaram se olhando por longos minutos, e o olhar de Diego era carregado de ternura e isso fazia com que Manoel sorrisse. Algo ficava cada vez mais forte entre os dois, era inegável que um grande e maravilhoso sentimento se consolidava a cada segundo que passava.

 – Janta comigo hoje?

Aquela pergunta saiu derrepente da boca de Diego que fixou o seu olhar no de Manoel a espera de uma resposta.

– Você estava pensando o mesmo que eu, engraçado isso! Sorriu Manoel.

– Também estava pensando em me convidar?

– Sim, uma forma de agradecer pelo que você me proporcionou naquele outro dia!

– Então eu aceito, mas com uma condição.  O sorriso de Diego se fez novamente.

– Qual condição? – Manoel ficou curioso-.

– A de que possamos ser amigos.

Diego colocou um de seus joelhos no chão e se abaixou.

– Claro que sim, condição aceita! Mas isso não me parece um pedido de amizade. Vai me pedir em casamento?!    –Brincou Manoel-.

– Por enquanto não!  -Diego devolveu a brincadeira-.


Depois de cada um ter ido para sua casa, a noite se aproximou sorrateira. Manoel estava ansioso e isso foi percebido por Agripina, uma empregada que se mantinha naquela casa há mais de trinta anos,  e essa o tinha como um filho.

– Parece que vai a um encontro!  – Agripina se admirou ao ver Manoel todo elegante novamente-.

– De certa forma, sim Agripina!  Mas não é um encontro amoroso.   Gargalhou Manoel.

– Bom ver você com essa alegria novamente! Seu sorriso fez muita falta aqui!  Agripina o abraçou

Assim que Manoel saiu do quarto rumo a sala,  Agripina pensou alto.

– Meu menino está apaixonado!

Manoel pegava o casaco em cima da mesa quando sua mãe desceu as escadas falando ao telefone,  mas desligou o aparelho assim que viu o filho indo em direção a porta.

– Vai sair meu filho?

– Vou mãe,  tenho que superar isso!  Disse ele olhando para cadeira de rodas.

– Fico realmente feliz, filho,  mas…

Manoel não deu chance pra que ela terminasse o que ia dizer, pois já sabia que não viria coisa boa.

– Mas você acha que eu não sou capaz de retomar minha vida!

Iniciaram uma discussão,  mas a campainha da porta tocou, e Henriqueta que agora estava mais próxima da porta, a abriu e se deparou com Diego.

– Você de novo?

CONTINUA…

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