Amor e Poder: Capítulo 1


Manoel Barreiras tinha seus 25 anos quando tudo aconteceu.  O dia na empresa de sua mãe havia sido cansativo e ele só queria poder descansar em sua cama, no seu apartamento localizado no centro da cidade. Os pensamentos eram povoados por lembranças de Lílian,  sua namorada que no momento estava em viajem para Quebec, pensava que assim que ela voltasse ele oficializaria o pedido de casamento. Com o sol se mostrando persistente em ficar no céu,  as sombras das árvores se intensificaram,  um sinal de que estava por chegar no prédio onde morava,  porém tudo aconteceu rapidamente, a batida, o impulso para frente e o desmaio.

Ele acordou com Henriqueta,  sua mãe,  ao seu lado num quarto de hospital e sentiu que algo muito grave havia acontecido com ele, principalmente com as pernas que não mais se moviam. O choro de Manoel foi longo e silencioso , não conseguia entender o motivo daquilo estar a acontecer com ele, pareceu que  tudo estava perdido. Sua mãe o abraçou e disse que tudo ficaria bem, que ela faria de tudo para que ele voltasse a andar,  então os dois choraram juntos,  e talvez Manoel não tenha chorado somente por sua nova difícil condição, mas talvez por sua mãe estar lhe dando atenção depois de tanto tempo sendo asentimental. Suas lembranças o levaram para quando tinha 10 anos e ouviu seus pais discutirem por um motivo banal e tudo isso culminou na separação dos dois, aquela foi a última vez que ele viu o pai.


SEMANAS DEPOIS

Os olhos dele percorriam todo o quarto,  olhando o ventilador rodar naquela manhã abafada não tinha mais coragem para nada , e assim foi os dias das semanas que se passaram, seus olhos marejados fazia ele lembrar da carta que recebeu de Lílian onde tudo que existia entre os dois foi rompido,  situação essa que agravou ainda mais o estado de Manoel.  Henriqueta como sempre andava atolada no trabalho da empresa e nem sequer se dignava a saber se o filho estava bem.  Ele já dominava muito melhor a cadeira de roda , e com os empregados da casa ocupados,  Manoel conseguiu sair sem ser notado,  já estava decidido no que iria fazer para que aquele sofrimento acabasse de uma vez por todas.

A realidade para os cadeirantes mesmo naquela cidade de primeiro mundo era precária e Manoel sentiu na pele aquela situação,  até chegar na ponte que cruzava o Lago Verde,  teve que utilizar muita força para subir e descer calçadas com segurança,  mas conseguiu vencer esses obstáculos. A vista que se tinha da Ponte para o lago era uma coisa impressionante , algo que fazia viajar nos pensamentos e se perder.

– Eu gostaria de voltar a andar novamente,  gostaria mesmo meu Deus!  disse Manoel cabisbaixo com lágrimas nos olhos.

Ao longe, um rapaz não tirava os olhos de cima de Manoel, parecia querer alguma coisa. Sua caminhada foi lenta até onde ele estava,  e o surpreendeu.

– Pensando muito na vida?  -Perguntou o completo estranho se pondo debruçado no beiral da ponte-.

Manoel olhou do seu lado direito e viu aquele rapaz,  teve receio,  pensou ser um ladrão querendo roubá-lo. O rapaz como que adivinhando os pensamentos receosos de Manoel,  resolveu mostrar que era uma boa pessoa.

– Não precisa ter medo de mim,  não seu nenhuma pessoa ruim!

– Eu  não pensei isso de você,  só estava com receio,  pois essa cidade é violenta demais.

– Fico feliz por não ter pensando mal de mim, mas o que faz aqui?  notei que você parecia vidrado com a água do lago.               -Sorriu o rapaz que prestava atenção em cada detalhe de Manoel-.

– Meu pai … Ele me trazia aqui quando era criança,  a gente costumava a navegar num pequeno barco.

– O seu pai já se foi?

– De certa forma , sim.

– Meus pêsames! Também já perdi uma pessoa a qual amei muito.

Aquele estranho pensou numa forma de alegrar aquele rapaz que ali estava pensativo, deixou Manoel por um instante sozinho, mas logo retornou com um grande sorriso no rosto.

– Tenho uma surpresa pra você…

– Manoel!

– Tenho uma surpresa pra você, Manoel! Vem comigo?

Estranhamente Manoel sentia que podia confiar naquele até então desconhecido que estava ali todo sorridente na sua frente,  e não pensou muito ao responder.

– Sim, vou!    -Um enorme sorriso se abriu em seu rosto ao dar aquela resposta-.

Aquele ‘estranho’ cantarolava enquanto empurrava a cadeira de Manoel e dizia no caminho que percorria que a surpresa seria inesquecível. Os olhos de Manoel brilharam assim que avistou um pequeno barco as margens do lago e se surpreendeu mais ainda com o convite do rapaz.

– Me acompanha?

– Eu acompanharia se eu pudesse… você sabe!

– Andar?  Isso não é problema.   -Disse o estranho ao pegar Manoel nos braços-.

Manoel começou a rir daquela situação e aquilo teve um impacto positivo para aquele ‘estranho’.

– Olha aí!

– O que?

– Mais um sorriso!

CONTINUA…

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